A Eddy Merckx do Zé.

Na Velo Corvo adoramos bicicletas francesas antigas. Adoramos tanto as bicicletas antigas que queremos mantê-las na estrada durante muitos anos.

flap

A maioria das bicicletas francesas são de facto muito bonitas. O problema começa quando começamos a olhar para os componentes. Não pelo facto de serem maus- e há até componentes franceses de excelente qualidade- mas pelo facto de simplesmente não aguentarem o desgaste dos anos e do dia a dia. Isto, claro, para a maior parte das bicicletas francesas de gama média/baixa.

As peças que se encaixam nesta categoria são geralmente as rodas e a transmissão. A queixa número um relativamente às rodas é que muitas das rodas antigas são de aço cromado. Para além de ser muito difícil mantê-las sem empenos, mesmo com raios novos, a parede de travagem é baixa e isso contribui para uma travagem mázinha. Os cubos são muitas vezes de flange alta, lindíssimos. Mas, claro, a fraqueza situa-se nos eixos, em especial no cubo de trás. Outro problema reside no facto da rosca do cubo de trás de um cubo francês ser incompatível com uma rosca de carretos modernos.

P1180347

O que nos leva ao problema da transmissão. Não é que as transmissões francesas funcionem mal. Simplesmente, não oferecem uma mudança suficientemente leve para maior parte dos utilizadores de hoje em dia. Se calhar antigamente as pessoas gostavam de sofrer sempre que pedalavam!

As pedaleiras eram geralmente duplas (ou no caso dos mais valentes, simples) mas sempre com um numero de dentes demasiado grande para alguns dos nossos percursos. Os carretos, esses, mesmo na mudança mais leve, não possibilitam muitas vezes, um pedalar confortável.

Isto dito: as bicicletas francesas são excelentes, mas para ficarem aptas a um uso mais intensivo precisam de uma intervenção mais profunda.

P1180346

O Zé apareceu na Velo Corvo com uma Eddy Merckx (feita pela Stardnord) lindíssima. Com uma cor daquelas que já não se fazem. Transmissão Simplex, pedaleira Solida, cubos Atom… Enfim, o habitual numa bicicleta Francesa!

Os problemas acima descritos existiam todos. Muito pesada ao pedalar, travagem má, rodas empenadas…

A solução passou então por:

-trocar as rodas por umas modernas mas discretas rodas com aros de alumínio (parede dupla e parede de travagem maquinada , com ilhós de reforço, raios de inox, 2mm e cubos selados, sendo o traseiro com cassete de 8 v) .

-Uma pedaleira tripla que deixa qualquer um preparado para subir e descer seja o que for.

-Uns carretos 11-32, para as desculpas ficarem em casa.

-Uns desviadores novos.

-E uma corrente nova, para tudo jogar certo.

Aqui está ela, terminada e pronta a rola!
P1180345

Resultado? Uma bicicleta com estética antiga mas com recheio novo. Está pronta para qualquer passeio, curto ou longo e até uma viagem maior!

Primeiro passeio Velo Corvo- Sintra

O passeio de Domingo de manhã é uma tradição já bem antiga. E aqui na Velo Corvo, gostamos de manter estas tradições bem vivas. Por isso,  este domingo passado organizámos um passeio em Sintra.

Sintra tem uma das mais bonitas paisagens de Lisboa. E é um sítio ideal para um dos melhores passeios de bicicleta em Portugal.

O percurso começou em Sintra, subiu até à Peninha. Pic-nic na Peninha e depois descer até ao Cabo da Roca. Depois do Cabo da Roca, subimos até à estrada principal que nos levou até à Malveira da Serra. A descida continuou até ao Guincho. Do Guincho, foi só seguir a ciclovia até Cascais.

Em Cascais, apanhámos o comboio até Lisboa. Não vale a pena fazer a Marginal de bicicleta , num Domingo à tarde. E ainda por cima com o trânsito que estava…. Bem melhor estávamos nós de bicicleta!

p1170553

Paragem obrigatória nas Queijadas de Sintra. Mas só se comem depois da subida.

Passeio Velocorvo Sintra 020

A passar pelo Palácio da Vila.

Passeio Velocorvo Sintra 016

Paragem na fonte para encher as garrafas de água.

 

…e começa a subida!

DSC_0554 DSC_0559 DSC_0592

 

Subida até à Peninha. Sim, a subida custa, mas com a paisagem tão bonita, custa bem menos!

Passeio Velocorvo Sintra 028

Castelo à vista!Passeio Velocorvo Sintra 044 Passeio Velocorvo Sintra 049 Passeio Velocorvo Sintra 062

 

Paragem no miradouro.  A praia do Guincho bem lá em baixo!

Passeio Velocorvo Sintra 071

DSC_0602

 

E claro, a paragem para o almoço.

 

Passeio Velocorvo Sintra 083

 

Passeio Velocorvo Sintra 079 DSC_0605

 

E começa a descida para o Cabo da Roca.

Passeio Velocorvo Sintra 094 DSC_0638 Passeio Velocorvo Sintra 097

Depois, toca a subir tudo outra vez! Vale a pena pela vista.

 

DSC_0674 DSC_0679 DSC_0684 DSC_0688 DSC_0708 DSC_0697

E a chegada ao Guincho.

 

DSC_0728 DSC_0730 DSC_0733

Paragem na Boca do Inferno!

DSC_0762 DSC_0757 DSC_0751 DSC_0763 Passeio Velocorvo Sintra 150 Passeio Velocorvo Sintra 151

Obrigado a todos os que participaram no passeio. O próximo será muito em breve. E um grande obrigado ao António e ao Gonçalo pelas fotografias!

 

Entrevista à TABOR

Todos nós conhecemos, de uma maneira ou de outra, a TABOR. De certeza que muitos se lembrarão dos grandes selins em couro com grandes molas, quase sempre vistos em bicicletas pasteleiras. Quase de certeza que esse selim era um TABOR.

Recentemente, a TABOR ganhou nova força, com uma imagem gráfica renovada e uma presença forte das redes sociais. Com a apresentação de algumas novidades (cores novas de selins), achei que deveria entrevistar a TABOR para saber exactamente o que esta marca nacional anda a preparar.

 

11350595_1135989403083894_2428726324333024816_n

Poderiam começar por dar uma pequena introdução acerca da TABOR?

A empresa “Tabor – Organização Ciclista da Borralha” foi constituída em 1965 através da união de cinco empresas da região que produziam selins e decidiram formar uma única empresa, com o intuito de tornar o seu produto (selim) comercialmente mais forte.
A Tabor faz hoje parte do grupo Ciclofapril e dedica-se principalmente ao corte e estampagem de chapa, nunca tendo deixado de produzir selins. Embora actualmente não se dedique  exclusivamente ao fabrico destes componentes, os selins continuam a ser a imagem de marca da empresa, tendo-se tornado o nome “Tabor” num ícone do ramo das bicicletas.
A empresa está actualmente apostada em investir na expansão da comercialização dos seus selins no mercado internacional, nomeadamente no Norte da Europa.

11695846_1166447756704725_4971624558361186021_n

-A Tabor tem consciência de que quando falam de pasteleiras portuguesas, o que mais referem é o selim cheio de molas TABOR? Parece que os vossos selins estão gravados na memória dos portugueses!

Sim, de facto os selins Tabor são algo que perdura na memória dos portugueses.
O conforto proporcionado por estes selins, o toque do couro natural, associado às suas várias molas reluzentes,  o suave balancear sobre as imperfeições das estradas, foram ao longo dos anos, proporcionando agradáveis passeios nas típicas bicicletas “Pasteleiras”.
São experiências e emoções que quem teve a ocasião de as experimentar, acalenta um enorme carinho pela marca e agora, numa altura de revivalismo neste nicho de mercado, pretende recriar.

-Vemos que a TABOR teve um renascimento, a nível de presença na internet e até de algumas presenças em feiras relativas a equipamento desportivo. O que levou a este renascimento desta marca que parecia um bocado “morta”?

No decurso da iniciativa de promover a marca Tabor nas diversas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram e Pinterest), fomos agradavelmente surpreendidos por termos tomado conhecimento da existência de um grupo no Facebook criado por amantes de bicicletas antigas, mais especificamente dos selins Tabor: um espaço onde se trocam impressões, dicas de manutenção e recuperação de selins antigos, demonstração de trabalhos realizados em bicicletas antigas (as ditas “Pasteleiras”) que muitas vezes ficaram esquecidas numa garagem pelo Pai ou mesmo Avô e ganham agora um novo fulgor, andando agora a circular por aí!
Desta forma, a Tabor com esta alteração dos seus canais de promoção, pretende apenas retribuir o respeito dos seus antigos e também novos clientes que tornaram possível à marca perdurar até aos dias de hoje, tornando o que é memória de alguns, em inesquecível para todos.

11101873_1124716304211204_7488530236471281683_n

-Sabemos que neste momento fabricam apenas os selins TABOR com molas, tendo três modelos. Com a grande popularidade atingida pela marca de selins Brooks, não posso deixar de perguntar: será que vão diversificar a vossa gama, tendo mais oferta de selins, até com mais variedade de cores?

Claro, a Tabor tem delineada uma estratégia de desenvolvimento de novos modelos de selins, mas pretende fazê-lo  de uma forma estruturada, sustentada nos mesmos padrões de qualidade patentes nos modelos actuais. Este é um processo moroso mas compensatório para o consumidor uma vez que a médio prazo, teremos novidades interessantes para lançar no mercado.
Quanto às novas cores, estas já estão disponíveis em toda a nossa gama de selins, que para além do preto, existem também em Cor Natural, “Marron” (castanho escuro) e “Cognac” (castanho tom de mel). Paralelamente, irão surgir edições limitadas com cores especiais, sendo que este ano foi escolhido o azul turquesa, cor do logótipo Tabor, celebrando os seus 50 anos de existência.

-Pensam ter outros produtos para além de selins?

Sim, a Tabor está em fase de desenvolvimento de uma linha de produtos complementares à área do ciclismo: bolsas, fitas de guiador, punhos, fivelas para pedais, etc., encontrando-se de momento à procura de parceiros nesta área.

-Alguma coisa mais a dizer em jeito de conclusão?

Sem descaracterizar a memória colectiva dos nossos clientes, a marca pretende num futuro próximo, apresentar-se com uma imagem renovada, com uma nova apresentação do produto, contando para isso com uma embalagem personalizada para o selim bem como um saco de protecção do couro, impermeável, tornando todo o conjunto do produto “Selim Tabor” esteticamente apelativo, adequado às novas tendências de design, sem perder contudo, o encanto da antiguidade que caracteriza a marca.

11057774_1122704224412412_6430238552684339923_o

Podem visitar a página de Facebook da TABOR, para estarem sempre a par das novidades AQUI.

Estejam atentos à página Velo Corvo. Em breve, irei ter a possibilidade de testar um selim TABOR.