Como transformar uma mochila de criança antiga num alforge

Com tanto tempo gasto a bater tudo o que é feira de velharias, mal seria se de vez em quando não conseguisse encontrar algo mesmo bom.

Desta vez, encontrei uma antiga mochila para crianças. Aparentava estar nova. Por 8 euros, pensei: melhor trazer, senão arrependo-me.  Isto porque iria transformá-la num alforge.

Aqui está o resultado final. Até condiz com a cor da bicicleta.

Aqui está o resultado final. Até condiz com a cor da bicicleta.

 

Em primeiro lugar, retirei as alças da mochila. Na verdade, nesta mochila, era apenas uma alça que se dividia em duas junto aos ombros, via uma argola.  Guardei esta alça, pois já tinha uso para ela, como veremos.

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No interior, inseri uma placa de plástico, vinda de uma tampa de uma caixa de arrumação que alguém fez o favor de deitar fora. Prendi essa mesma placa às costas da mochila juntamente com um tubo de alumínio, também encontrado por aí. Dois parafusos inox fizeram o trabalho de segurar tudo.

 

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Já do lado de fora e nas costas da mochila, coloquei a tal alça que aproveitei, e de seguida, em cada parafuso, coloquei uma pequena fivela de cabedal, também comprada numa qualquer feira.

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E aqui está a tal alça. Quando a bicicleta está em andamento, simplesmente guarda-se dentro do alforge. Quando saímos da bicicleta, basta desapertar as duas fivelas de cabedal que prendem o alforge ao porta-bagagens, retirar a alça para o ombro e já está!

Por cerca de 10 euros e alguma paciência, podemos ter um alforge compacto, ideal para passeios de dia. Este tem espaço suficiente para ferramentas, câmara de ar, impermeável, casaco, comida, máquina fotográfica e claro, a cafeteira.

 

 

Sacos para bicicleta feitos à mão em Portugal- Entrevista com o Rui da Albarda

Bom dia Rui! Uma pequena introdução à marca?

A Albarda é uma marca jovem que se dedica à  construção de malas/bolsas para bicicleta, principalmente para instalação no selim.
O produto é todo ele nacional, desde quem o pensou, passando pelas matérias-primas usadas até às mãos que o constroem. Resulta de uma sinergia entre diferentes criativos, que decidiram juntar os trapos e pôr mãos-à-obra!
Pretendemos que a qualidade dos materiais que usamos na Albarda garantam que é funcional, sólida e preparada para os chamados heavy duties como por exemplo: as mudanças temperamentais do S. Pedro que habitualmente trazem chuva e para as quais a Albarda se preveniu usando materiais resistentes à mesma.
Os ciclistas mais exigentes vão certamente gostar da sua construção robusta e o melhor é que podem personalizar a sua Albarda mudando as cores do tecido, sistemas de fecho, uso ou não de elementos reflectores e por aí fora.
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Porquê o nome Albarda?
Talvez porque é uma palavra em desuso, por ter uma ligação directa com o transporte de carga. Albarda-se o burro à vontade do dono, que é como quem diz, faz-se a mala à vontade do dono.

Geralmente, as malas para bicicleta são fabricadas com lona ou até materiais sintéticos. Foi uma insistência da tua parte usar materiais “tradicionais” como a lona, lã, e cabedal?

Sim, essa foi uma condição essencial para o arranque da ideia. De alguma forma mostrar que os materiais tradicionais ainda podem ser usados de forma surpreendente, aliando a estética à funcionalidade.
Porquê usar a lã como material principal?
A ideia surgiu quando segurava uma mala de senhora. Já conhecia o material mas nunca me tinha passado pela cabeça fabricar uma mala de bicicleta a partir daquele tipo de tecido. De repente, tudo fez sentido, a origem do tecido, a sua utilização primária contra os elementos naturais, a textura e cores.
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Quem fabrica as malas?
As malas são fabricadas por duas criadoras que dominam as artes da costura e que deram provas de estar à altura do projecto quando criaram o protótipo. Era importante que fossem profissionais e estivessem motivadas para dar corpo a este projecto e assim aconteceu. Ou seja, todo o trabalho é manual e artesanal. As tesouras e máquinas de costura são as ferramentas usadas. Mesmo que os pedidos aumentem, todas as malas serão feitas com tempo e fora das engrenagens da indústria.
Como vês a produção local nesta época globalizada e massificada?
Apesar de tudo, continua-se a valorizar a produção local de qualidade. Mesmo numa perspectiva global, temos excelentes exemplos onde existem filas de espera para um determinado produto, quer seja um quadro de bicicleta ou uma mala. Isso só pode ter um significado forte nestes tempos de produção em massa.
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Relativamente a modelos, vejo que para já, apresentaste um único modelo. Quais são as tuas intenções para o futuro?
 
Até agora todas as malas tem sido feitas com base em pedidos dos seus donos, quer seja a nível de cores ou de pormenores. Gostava que não houvesse duas malas iguais mas tenho algumas ideias na manga. Talvez não se venha a ter modelos diferentes mas sim vários pormenores diferentes de onde se possa escolher.
Relativamente a preços, poderás avançar um preço médio para os teus sacos?
Depende um bom bocado das opções escolhidas mas ronda uma média de 140€.
Como é que as pessoas podem entrar em contacto contigo?
Através do site www.albarda.pt, email info@albarda.pt ou na página de FB https://www.facebook.com/albardamala.

Tio, o ciclista irritado e a semana da Mobilidade- Marginal sem carros.

Uma vez por ano e fazendo uso da sua benevolência sem limites, a Câmara Municipal de Oeiras fecha (uma parte) da Marginal ao trânsito automóvel. Com isto, esperam sensibilizar o povo a novas e divertidas formas de mobilidade, ao mesmo tempo que garantimos um futuro mais verde para as nossas crianças. Pelo menos, foi o que ouvi na telefonia.

Como domingo de manhã é altura de pedalar, apontei o guiador na direcção da Marginal para ver se tal era o caso.

 

A minha aventura começou em Algés.

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Nenhum dos runners leva meias até ao joelho. Depois queixem-se das varizes. Ponto extra para o corredor da esquerda. Leva calções demasiado curtos.  

Logo no início do “paredão”, começou. Um fenómeno que não tem muito a ver com a mobilidade, mas com a estética. Homens a correr de tronco nu. Ou como se chama agora: running. Já foi Jogging. Mas voltaram ao mais simples Running. Se calhar, o que diferencia as coisas é mesmo o facto de ter de ser correr de tronco nu. Isso e usar aquelas meias para as varizes, até ao joelho. Pessoalmente não corro. Mas todas as pessoas que vejo a correr vão com um ar infeliz. Muito infeliz. Sintomático.

 

Este sabe como é.
Este sabe como é.

 

Já na Marginal, o panorama era este. Gente à esquerda, à direita, em cima e em baixo. Bicicletas, cães, patins, pessoas a fazerem aeróbica, tudo à mistura. Para facilitar a mobilidade, claro.

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Uma escuteira avisava ao início: bicicletas à esquerda, pessoas à direita. Algo que se passou durante mais 12,4 metros. A partir daí, era cada um por si.

Um pouco mais à frente, um grupo de meninas esperava que o Pug delas se decidisse a levantar. Infelizmente, o cão parecia mais interessado na imobilidade.

Vai, Bobby, anda!"
“Vai, Bobby, anda!” O focinho do cão diz tudo – quero ir para casa, parem de olhar para mim, não consigo respirar!

 

 

The horror, the horror
The horror, the horror

 

Um pouco mais à frente, e perto de uma barulhenta aula de aeróbica, um tipo com uma mochila em forma de garrafa, distribuía suminhos para o povo cheio de sede. Uma iniciativa, claro, para fomentar a mobilidade. Tal como a aula barulhenta. Usámos a nossa mobilidade para nos desviarmos e fugirmos dali.

 

São grátes!
São grátes!

Chegando ao fim da zona fechada ao transito, rapidamente demos a volta para voltar para casa. Já estávamos fartos de tanta mobilidade.

 

Ao regressar, um grupo de cães de tamanhos diversos passeavam pessoas, ocupando todas as faixas. Os cães não ouviram o programa de rádio que eu ouvi.

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Breve paragem em paço de arcos. Gostei particularmente da tabuleta. A mensagem é clara.

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Quase a chegar a Algés, vimos um bonito espetáculo de pessoas a fazerem Ioga. Já para treinarem para 2ª feira quando tiverem de se meter no carro outra vez. Ouvi dizer que faz bem aos nervos, fazer Ioga. Como não tinha trazido a minha roupa especial para Ioga, segui caminho.

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Pelo menos, o passeio serviu para ver a paisagem bonita sem arriscar levar com um carro em cima.

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A parte triste disto tudo é que saí dali sem saber para que é que servia aquele espetaculo todo. Aulas de aeróbica com banda sonora de Reaggaeton? Mobilidade estilo ANA MALHOA?

Passear cães ? Arejar bicicletas BMX com os selins demasiado alto? Beber suminhos grátis? Fazer rastreios da pressão arterial? Usar a bicicleta como meio de transporte? Fazer exercício em tronco nu?

Resumindo: qualquer ideia didáctica que o evento pudesse ter, caiu sempre em saco roto.

No meio destes eventos popularuchos / pimba sem pés nem cabeça, tenho de perguntar: é com esta gente que contamos para fazer ciclovias?