Tio e a ciclovia do País das Maravilhas

Foi com a habitual pompa  que, há uns tempos, inauguraram a espectacular pista pedociclável (o nome não é meu, vi neste vídeo) entre Algés e Cruz Quebrada.

Este domingo fui pedociclar todos os seus gloriosos 900 metros (contei 700, mas pronto). O que vi foi horrível.

 

Oeiras, um exemplo nacional.

Supostamente, Oeiras é o concelho de Portugal com os passeios mais arranjadinhos, se for ouvir o que popularmente se diz aqui na minha zona. Ele roubou, mas pelo menos arranjou os passeios, diz o povo falando do Isaltino Morais, injustamente preso  por crimes que não cometeu. Paulo Vistas continua a sua obra a arranjar passeios. Estando os passeios todos arranjados, está na altura de se virar para as ciclovias. Como está “na moda” andar de bicicleta sustentável ao mesmo tempo que sustentávelmente reciclamos e pensamos num sustentável futuro mais verde para os nossos filhos, ciclovias para a frente!

Para quem conhecia esta zona, antes da gloriosa intervenção, de certeza que se lembra das bonitas contruções abarracadas feitas pelos pescadores que decidiram que aquilo era deles. Barracas desaparecidas, ficou a ciclovia. Até aqui tudo bem. Há que criar espaço para todas as pessoas. E ainda por cima, com a vista bonita que temos nesta zona. Mas claro, a realidade está muito próxima de tentar alimentar uma baleia a amendoins. Não funciona.

A ciclovia é horrível.

Sou um mal-agradecido

Pois devo ser. Com tanta inauguração, a obra devia ser uma dádiva dos deuses. Mas não é. é mais do mesmo. Areia para os olhos.

À semelhança da ciclovia do Guincho, esta também rapidamente se tornou num passeio pedestre…

Vejamos:

Se não fossem as barreiras de betão, até na ciclovia estacionavam.

Se não fossem as barreiras de betão, até na ciclovia estacionavam.

Logo ao início, começamos por ver os habituais carros-estacionadinhos-mesmo-à-porta. Porque aí Jesus se o carro fica longe… Não directamente relacionado com a ciclovia em si, mas demonstra que ainda há muito para fazer em termos de mobilidade em Oeiras.

Depois, os caezinhos à solta. Gosto muito de animais. Dos seus donos, às vezes nem por isso. Cães à solta perto de bicicletas, não obrigado.

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Já na ciclovia, vemos que claramente não pensaram bem no investimento de 100000 euros. A ciclovia não está marcada. Ora, peões para a esquerda, ciclistas para a direita? Nem espaço há para os dois circularem lado a lado, pois é perigoso.

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Ou seja, a ciclovia não serve nem para peões nem para ciclistas.

O fim da ciclovia é este. Debaixo da ponte. Supostamente atravessamos a ponte e podemos continuar mais um bocado o nosso passeio em cima de uma manta de retalhos de betão.

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Contudo, atravessar a ponte é algo complicado.

Considerações finais.

Não é preciso ter um super-doutoramento em planeamento urbano para chegar à fórmula mágica. Zona sem carros+zona com vista bonita= pessoas aparecem.

Pronto, se calhar isto foi feito um bocadinho em cima do joelho, mas não podemos querer tudo de uma vez...

Pronto, se calhar isto foi feito um bocadinho em cima do joelho, mas não podemos querer tudo de uma vez…

 

A vista até é bonita!

A vista até é bonita!

Agora, não se pode chegar a um “deserto”, fazer uma pedociclovia pedalavel e dizer que resolvemos os problemas do mundo.

E ali ao lado, continua a Marginal, com todas as suas faixas, mas nem uma para as bicicletas. Mas isso, isso é para o País das maravilhas. Porque afinal, os ciclistas só andam por aí a passear.

As 1001 dicas do Tio para pedalarem felizes-8

Muitas vezes vejo pessoas a pedalar à noite sem luzes. Grave. Mas ainda mais vezes, vejo pessoas a pedalar à noite apenas com um daquelas luzinhas LED. Tipo isto:

 

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Eu acho que estas luzes são insuficientes para pedalar em algumas estradas  mais movimentadas ou em dias de pior tempo. As minhas reticências prendem-se com o tamanho. Prefiro usar algo deste tipo:

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Bem maior e mais visível! E nunca as uso a piscar. Luzes a piscar só causam confusão!

 

Tio e a Ciclovia da radial de Benfica

Para quem não vive em Lisboa a sério, e tem de ir de bicicleta até Lisboa, encontra algumas dificuldades. Eu vivo em Carnaxide. Tenho duas opções para ir até Lisboa. Algés e Marginal, com todas as suas 8 faixas, mas sem uma ciclovia a sério ( a “ciclovia” que existe foi feita usando a técnica “remendo”), e por isso apanhar com tudo o que é carro nervoso. A segunda opção é apanhar a ciclovia da radial de Benfica, que até se come. O problema é chegar até à rotunda de Pina Manique tranquilamente. A estrada que existe, ligando o parque de campismo de Monsanto até à dita rotunda, está mal iluminada, em mau estado e claro, para ajudar à festa, os carros fazem daquilo pista de corrida.

Felizmente, o Nuro (sim, com “r”), tem mais paciência que eu e fez um belo trabalho no blog dele, As minhas bicicletas.
Aconselho a todos que leiam e comentem, para que, quem sabe, façam melhorias na dita estrada e até se calhar, uma ciclovia! Um homem pode sonhar. Afinal de contas, a câmara de Oeiras inaugurou recentemente uma ciclovia perto da praia de Algés com 800 metros de comprimento. Grão a grão…

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