Rival levanta vôo!

Finalmente, depois de alguns meses de restauro interrompido, a Rival está (quase) pronta a andar, ficando apenas a faltar o detalhe de escolher umas rolhas apropriadas para colocar no final do guiador, para servir de tampa e segurar a fita de guiador artesanal.

Velo Rival, completa com cesto de vime.

Como disse num post anterior, esta bicicleta é francesa e foi fabricada, segundo as minhas estimativas, algures nos anos 50 /60 numa terra chamada Moulins. É de certeza de fabrico artesanal em pequena escala. Não tem mudanças, mas o quadro está preparado para montar um manípulo de mudanças. Sem ser indexado, claro.

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As rodas são 650B. Os pneus originais eram de cor branca, mas infelizmente estavam demasiado ressequidos para sequer tentar montar. A Michelin, reconhecendo a clara superioridade desta medida obscura (que já não é assim tão obscura, afinal de contas, se formos a ver que 650B ou 29″ são a mesma medida), ainda fabrica pneus e camaras de ar.

O quadro foi polido com Duraglit, versão limpa metais. Foi uma primeira limpeza, apenas para tirar as manchas de ferrugem que aparecem por todo o quadro. Também não quis insistir muito, pois até a ferrugem tem o seu charme. Afinal de contas, esta é a boa ferrugem.

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O mesmo método foi usado em todos os cromados: guiador, aros, raios, cubos. As peças de alumínio tiveram uma limpeza mais superficial.

O selim, de cabedal, ainda está utilizável. Se é confortável, terei de perguntar à ciclista que a vai usar. A sua forma indica que é um selim de senhora – mais largo e curto.

A corrente foi apenas lubrificada com óleo normal. Com o uso, a ferrugem que poderá haver sairá.

As rodas estão sem empenos. E rolam livremente, aliás, supreendentemente livremente! O mesmo pode ser dito dos pedais. Comparemos isto com os pedais e rodas de hoje em dia… e então se tomarmos em conta que a bicicleta tem cerca de 60 anos, dá que pensar!

O travões sofreram uma limpeza geral. Não troquei os calços. Estes funcionam, para já.

Como medida de segurança, troquei os cabos de travão.

Os punhos estavam demasiado velhos para serem usados. Retirei-os com uma faca. A partir de umas calças de cabedal castanhas, cortei as fitas de guiador.

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Com um bocado de sisal podemos dar um aspecto bem mais bonito ao nosso guiador. Muito melhor do que usar fita isoladora!

Acho que o resultado obtido é bem mais bonito do que dois punhos brancos e de plástico.

O que resta agora é pedalar. E tirar fotografias mais detalhadas.

Projectos em Curso

Aqui na Velo Corvo, para além de ter um blog para manter, estou sempre com projectos em mente.

Vejamos:

Motobecane mixte: Comprada a um preço “jeitosinho” mas não em muito boa forma. Vamos ver como podemos devolver vida a uma bicicleta que de certeza estaria destinada à sucata.

Bertin Randonneur: Aqui está um projecto complicado! Esta Bertin foi comprada a um preço um bocado mais elevado, mas quem pode resistir a rodas 650 B e travões cantilever? Mais uma que estaria destinada a morrer. Parece ferrugem em forma de bicicleta, não? Veremos por quanto tempo!

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Rival Mixte: excelentemente bem conservada, mas a precisar de uma limpeza, esta Rival tem detalhes de construção únicos e bonitos, coisa que infelizmente é rara nos dias de hoje.

Velo Corvo Moncorvo: o primeiro quadro. Rodas 26”, geometria algures entre uma bicicleta de estrada e todo o terreno. Faz tudo. Ou quase. Estejam atentos.

Alma

Comecei a mexer a sério em bicicletas aos 14 anos e pelos 17 já trabalhava numa loja de bicicletas.
Desde sempre, estive rodeado de dezenas de bicicletas. Umas não causam em mim grande impressão enquanto com outras crio uma relação. E essa relação traz com ela uma série de mitologias. Por exemplo. É mais do que sabido que quando se monta uma bicicleta especial, seja com peças novas ou velhas, a bicicleta tem de ficar a repousar uma noite sozinha depois de montada. Senão nada vai funcionar. Há explicação científica? Sim, poderá haver para algumas coisas. Mas gosto de pensar que é mesmo a bicicleta a ganhar alma. E quando mais tempo passar , quanto mais uso tiver, mais riscos e esfoladelas, mas “viva” será e mais alma terá. Porque a vivência da bicicleta é isso, histórias e memórias que levamos ao pedalar nela.