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Alma

Comecei a mexer a sério em bicicletas aos 14 anos e pelos 17 já trabalhava numa loja de bicicletas.
Desde sempre, estive rodeado de dezenas de bicicletas. Umas não causam em mim grande impressão enquanto com outras crio uma relação. E essa relação traz com ela uma série de mitologias. Por exemplo. É mais do que sabido que quando se monta uma bicicleta especial, seja com peças novas ou velhas, a bicicleta tem de ficar a repousar uma noite sozinha depois de montada. Senão nada vai funcionar. Há explicação científica? Sim, poderá haver para algumas coisas. Mas gosto de pensar que é mesmo a bicicleta a ganhar alma. E quando mais tempo passar , quanto mais uso tiver, mais riscos e esfoladelas, mas “viva” será e mais alma terá. Porque a vivência da bicicleta é isso, histórias e memórias que levamos ao pedalar nela.

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O Corvo levanta vôo!

Pode parecer estranho iniciar um blogue sobre bicicletas com um artigo sobre o restauro de uma máquina de escrever. Mas não é bem.

Encontrámos esta máquina de escrever, uma Hermes Baby, por 15 euros numa loja de velharias. Só tinha um defeito. Nada funcionava. Nada mesmo. Tudo perro. Decidi levar a máquina para lhe devolver vida.

É o que pretendemos com este blogue. Dar vida a objectos. Pensar, sistematizar a relação que temos com determinados objectos, sobretudo as bicicletas. Mas podemos ter o mesmo tipo de relação com objectos tais como máquinas fotográficas de 35 mm, canetas de tinta permanente, roupa de fabrico artesanal, etc.

Os objectos, sejam ou não feitos á mão, não deixam de ser isso mesmo – objectos. Mas somos nós que nos relacionamos com estes mesmos a níveis diferentes .

No caso da máquina de escrever, é o facto de podermos com ela “viajar” para outros locais, através da escrita, teclando alegremente e criando no processo uma impressão numa folha de papel que é única.

No caso da bicicleta, podemos viajar, e, nesse processo, criar na nossa memória “impressões” que são, também elas, únicas.

Vamos?