Evita os roubos!

Todos nós, em princípio, gostamos das nossas bicicletas. E, infelizmente, há pessoas que gostam tanto das nossas bicicletas que querem ficar com elas.

Roubando-as.

Há passos que podemos tomar para garantir que a nossa bicicleta fica mais segura quando a deixamos na rua ou prédio.

Vejamos então o que podemos fazer!

  • Não deixar a bicicleta na rua durante a noite. Mesmo com os melhores cadeados do mundo, estamos a sujeitar a bicicleta a todo o tipo de vandalismo. Se não a conseguirem roubar na totalidade, podem simplesmente roubar as peças.
  •  Não facilitar. Com isto quero dizer que se não estão preparados para ficar sem a bicicleta, não a deixem “5 minutos” enquanto vão ao café comer uma bola de berlim. Usem sempre um cadeado. O mesmo se aplica a deixar a bicicleta no vão de escada enquanto vão a casa só por um minuto.

Temos de distinguir então deixar a bicicleta presa durante 5 minutos de deixá-la presa durante mais tempo, enquanto trabalhamos ou vamos ao cinema, por exemplo.

  •  Se a deixarmos presa durante 5 minutos enquanto vamos ao café ou ao supermercado, podemos usar um cadeado apenas, mas isto fica ao critério de cada um. Recomendo nunca facilitar.
  •  Se queremos então ter a bicicleta sempre segura, teremos de seguir esta regra de ouro: usar sempre dois cadeados bons. Dois cadeados bons e de tipos diferentes. Podemos usar uma corrente grande para o quadro e roda de trás e um cadeado em “U” para a roda da frente. Se quisermos jogar mesmo pelo seguro, podemos colocar um terceiro cadeado no selim. Porque é que vamos usar dois cadeados? Para ter um efeito dissuasor; um ladrão ou potencial ladrão (porque afinal de contas, a ocasião faz o ladrão), ao ver os dois cadeados bons, pensará logo que dará muito trabalho cortar ou arrombá-los, e que demorando mais tempo, o risco será maior!
cadeadosbicicleta

Dois cadeados bons! Um prende a roda de trás e quadro. O outro prende a roda da frente ao quadro. A situação ideal seria prender a roda da frente a outro poste. Nem sempre temos um gradeamento à mão, por isso, por vezes, esta é a solução encontrada.

cadeadorodatras

Certifiquem-se de que o cadeado passa pelo quadro e roda de trás. E pelo poste, claro.

Quanto a guardar a bicicleta em vãos de escada, garagens de prédios e arrecadações, uma vez que grande parte (e arrisco até dizer a maior parte) das bicicletas são roubadas destes locais:

  •  Tenham especial atenção a garagens comuns dos prédios. Procedam como na rua, e, se possível, deixem as bicicletas sempre fora de vista, dentro de uma arrecadação trancada. Mesmo dentro da arrecadação, tentem prender a bicicleta a algo imóvel com um cadeado. Se não tiverem arrecadação, tranquem a bicicleta seguindo as indicações.
  • Também não recomendo guardar a bicicleta em vãos de escada; para além de incomodar os vizinhos, caímos sempre em tentação de não trancar convenientemente as bicicletas, abrindo assim a porta a amigos do alheio.

Ao prender a bicicleta:

  •  Cuidado com o poste que usamos! Está bem preso ao chão? Se não estiver, podemos arrancar o poste do chão e carregar a bicicleta para casa.
  •  Prendemos bem a bicicleta? Mesmo usando um cadeado, deixámo-lo preso ao poste? Acontece mais vezes do que pensam, deixar a bicicleta presa a nada.
poste

Atenção a estes postes! Por vezes, podem estar soltos na base, deixando a bicicleta à solta para quem a queira levar a passear de carrinha…

Que cadeado usar?

cadeados bons

À esquerda, um cadeado de cabo de aço grosso. À direita, uma corrente grande. A corrente será a que oferecerá o nível de protecção superior. O cabo de aço será sempre um cadeado secundário.

  •  Devemos evitar cadeados de má qualidade. O barato sai mesmo caro, neste caso. Não vale a pena ter uma bicicleta cara se a deixarmos presa a um poste com um cadeado que se arromba em 30 segundos.
  • Os piores cadeados são os que têm cabos de aço finos envoltos em plástico. Podem parecer resistentes, mas qualquer alicate de corte ou serra de metal cortam o cabo em menos de meio minuto.
  •  Os meus preferidos são os cadeados pesados, presos a correntes também grandes e pesadas. A vantagem é poderem abraçar o quadro, roda de trás e um poste grande.
  •  Os cadeados em U são bons e muito difíceis de arrombar ou cortar. Mas também têm o defeito de, por vezes, não conseguirem abraçar a roda de trás, quadro e poste!
cadeado mau

Parecia resistente! Infelizmente, um bocado de paciência e um alicate de corte, desfazem este cabo em minutos. Se usarmos uma serra, nem 20 segundos.

Uma nota final relativamente a apertos rápidos do selim e rodas: dão jeito para retiramos as rodas e ajustarmos o selim sem ferramentas, mas também facilitam a vida aos amigos do alheio. Para resolver este problema, substituam o aperto rápido do selim por uma porca e parafuso. Os apertos rápidos das rodas podem ser substituídos por apertos rápidos anti-roubo!

Não facilitem e boas pedaladas!

Ler e pedalar, pedalar e ler.

No próximo dia 14 de Novembro, pelas 18h30 irá acontecer algo especial. O lançamento do primeiro livro português sobre a bicicleta escrito com uma nova perspectiva. Uma perspectiva mais poética e menos atlética. Uma perspectiva mais espiritual e menos material.

capa livro

A capa até tem uma bicicleta bonita e tudo!

Os autores Laura Alves (Jornalista freelancer, dona de dois gatos e duas bicicletas) e Pedro Carvalho (director da revista B – Cultura da Bicicleta, dono de uma cadela e quatro bicicletas) conseguiram neste livro transmitir, de uma forma leve o que nos faz pedalar. O que nos faz ir mais longe. Não será um livro técnico sobre bicicletas. Será sim um livro sobre a parte bonita do que é revolucionar o mundo, pedalando a vinte quilómetros por hora.
Tive a honra de ser convidado para uma leve participação neste livro, como o Tio, o ciclista irritado. Os leitores da revista B devem conhecer a sua “boa” disposição. Ao longo do livro , o Tio dará a conhecer as suas opiniões sobre temas variados do mundo velocipédico. Tudo para ser levado na desportiva, claro.
Afinal de contas, o que queremos é mais gente a pedalar!
O lançamento do livro A GLORIOSA BICICLETA, Compêndio de Costumes, Emoções e Desvarios em Duas Rodas, é no dia 14 de Novembro, na livraria Ler Devagar, LX Factory, pelas 18h30.

Para quem pedala no Porto, a apresentação será no dia 20 de Novembro em local a divulgar.

convite

Não faltem! 

Do feio ao belo

Para quem segue este blog habitualmente, não é surpresa o facto de preferir de longe as bicicletas antigas às modernas. O que não quer dizer que as bicicletas modernas feias não possam ficar bonitas!  O exemplo disso é a  bicicleta da Laurita, a Felizbina, recentemente alterada na Oficina do Corvo.

Vejamos então o que foi feito.

felizbina antes

Na fotografia acima, podemos ver a bicicleta da Laura antes da transformação. Uma bicicleta de todo o terreno igual a tantas outras. A decoração do quadro é de gosto (muito) discutível que parece gritar “sou uma bicicleta para corridas” a cada milímetro quadrado. Os pneus não são adequados a uso na estrada. E o porta-bagagens era feio e pesado.

A bicicleta cumpre perfeitamente a sua função, mecanicamente. Estéticamente, a Laura sentia-se triste com a Felizbina. Simplesmente não a achava bonita.

A missão era então, tornar a Felizbina mais bonita. Mais “clássica”, digamos assim.

felizbina parede

E aqui está a Felizbina! Como podemos ver, o quadro foi pintado com uma cor bem mais discreta e bonita. Os logótipos desapareceram, tanto do quadro, como da suspensão da frente. O guiador de todo o terreno foi substituido por um mais bonito e confortável. A Laura pedala agora mais direita, que lhe possibilita conforto e melhor visibilidade em ambientes urbanos. Os punhos “ergonómicos” de borracha foram substituídos por umas bonitas fitas de cabedal, terminadas por rolhas no guiador a servirem de tampas.

A grelha porta-bagagens é agora uma Pletscher, de fabrico Suiço. Bonita, elegante e resistente. O alforge é um Bashô, feito à mão aqui mesmo em Lisboa. Os pneus são agora semi-slicks, possibilitando à Laura rolar depressa e sem atrito, mas mantendo o conforto, pois são pneus mais largos.

Para terminar, uns para-lamas completos para a bicicleta não ficar em casa nos dias de chuva.

A Laura diz-me que está satisfeita e que faz um figurão todos os dias a ir para o trabalho. Justamente o que queria ouvir!

 

A Felizbina é uma bicicleta que gosta de ler.

 

felizbina subida

Felizbina a subir, algures na Ajuda.

 

felizbina final

Felizbina já com os para-lamas montados. Não há chuva que a pare!