Ler e pedalar, pedalar e ler.

No próximo dia 14 de Novembro, pelas 18h30 irá acontecer algo especial. O lançamento do primeiro livro português sobre a bicicleta escrito com uma nova perspectiva. Uma perspectiva mais poética e menos atlética. Uma perspectiva mais espiritual e menos material.

capa livro

A capa até tem uma bicicleta bonita e tudo!

Os autores Laura Alves (Jornalista freelancer, dona de dois gatos e duas bicicletas) e Pedro Carvalho (director da revista B – Cultura da Bicicleta, dono de uma cadela e quatro bicicletas) conseguiram neste livro transmitir, de uma forma leve o que nos faz pedalar. O que nos faz ir mais longe. Não será um livro técnico sobre bicicletas. Será sim um livro sobre a parte bonita do que é revolucionar o mundo, pedalando a vinte quilómetros por hora.
Tive a honra de ser convidado para uma leve participação neste livro, como o Tio, o ciclista irritado. Os leitores da revista B devem conhecer a sua “boa” disposição. Ao longo do livro , o Tio dará a conhecer as suas opiniões sobre temas variados do mundo velocipédico. Tudo para ser levado na desportiva, claro.
Afinal de contas, o que queremos é mais gente a pedalar!
O lançamento do livro A GLORIOSA BICICLETA, Compêndio de Costumes, Emoções e Desvarios em Duas Rodas, é no dia 14 de Novembro, na livraria Ler Devagar, LX Factory, pelas 18h30.

Para quem pedala no Porto, a apresentação será no dia 20 de Novembro em local a divulgar.

convite

Não faltem! 

Do feio ao belo

Para quem segue este blog habitualmente, não é surpresa o facto de preferir de longe as bicicletas antigas às modernas. O que não quer dizer que as bicicletas modernas feias não possam ficar bonitas!  O exemplo disso é a  bicicleta da Laurita, a Felizbina, recentemente alterada na Oficina do Corvo.

Vejamos então o que foi feito.

felizbina antes

Na fotografia acima, podemos ver a bicicleta da Laura antes da transformação. Uma bicicleta de todo o terreno igual a tantas outras. A decoração do quadro é de gosto (muito) discutível que parece gritar “sou uma bicicleta para corridas” a cada milímetro quadrado. Os pneus não são adequados a uso na estrada. E o porta-bagagens era feio e pesado.

A bicicleta cumpre perfeitamente a sua função, mecanicamente. Estéticamente, a Laura sentia-se triste com a Felizbina. Simplesmente não a achava bonita.

A missão era então, tornar a Felizbina mais bonita. Mais “clássica”, digamos assim.

felizbina parede

E aqui está a Felizbina! Como podemos ver, o quadro foi pintado com uma cor bem mais discreta e bonita. Os logótipos desapareceram, tanto do quadro, como da suspensão da frente. O guiador de todo o terreno foi substituido por um mais bonito e confortável. A Laura pedala agora mais direita, que lhe possibilita conforto e melhor visibilidade em ambientes urbanos. Os punhos “ergonómicos” de borracha foram substituídos por umas bonitas fitas de cabedal, terminadas por rolhas no guiador a servirem de tampas.

A grelha porta-bagagens é agora uma Pletscher, de fabrico Suiço. Bonita, elegante e resistente. O alforge é um Bashô, feito à mão aqui mesmo em Lisboa. Os pneus são agora semi-slicks, possibilitando à Laura rolar depressa e sem atrito, mas mantendo o conforto, pois são pneus mais largos.

Para terminar, uns para-lamas completos para a bicicleta não ficar em casa nos dias de chuva.

A Laura diz-me que está satisfeita e que faz um figurão todos os dias a ir para o trabalho. Justamente o que queria ouvir!

 

A Felizbina é uma bicicleta que gosta de ler.

 

felizbina subida

Felizbina a subir, algures na Ajuda.

 

felizbina final

Felizbina já com os para-lamas montados. Não há chuva que a pare!

Motobecane mixte a ganhar vida!

Já vos tinha falado desta Motobecane num post anterior, já sabia que iria ser possível salvar esta bicicleta da sucata mas só nesta semana é que agarrei este projecto com mais força. Não iria ser um projecto fácil, mas até agora, tudo corre bem!

Esta Motobecane foi comprada pelo quadro, pára-lamas, porta-bagagens, avanço, guiador e espigão de selim. Todos os outros componentes estavam inutilizados. Nem sempre é fácil fazer de várias peças usadas uma bicicleta inteira, há sempre imprevistos, incompatibilidades e impossibilidades.

Felizmente tem rosca do eixo pedaleiro inglesa, o que simplifica bastante a escolha de um eixo pedaleiro. O espigão de selim e avanço estão em boas condições. A partir daqui deverá ser mais ou menos fácil.

Vejamos então o que foi feito até agora:

Guiador

guiador

Infelizmente o guiador já tinha muita corrosão. Por vezes, a corrosão é superficial e pode ser removida com limpa metais. Neste caso, só foi possível remover parcialmente, o que atenuou o problema e permite reutilizá-lo, uma vez que irá ficar coberto de fita de pano.

Manetes de travão

manete travao

Estas manetes aparafusam directamente ao guiador e têm uma estética antiga que quero manter na bicicleta. A limpeza desta peça foi mais fácil –  recorri apenas a uma lixa e limpa-metais. Uma das manetes estava empenada e foi endireitada com a ajuda de um torno de bancada.

 

Travões

Restaurar estes travões está a ser um processo demorado; embora a limpeza superficial tenha corrido bem, tal como nas manetes de travão, uma das hastes estava perra devido à corrosão. Usando WD-40, estou a conseguir libertar a articulação perra de modo a ficarem quase novos.
Relativamente aos calços de travão, estes estão obviamente inutilizados, estão demasiado gastos e ressequidos. Terei de adquirir um par novo.

Acima já temos o aspecto quase final dos travões, após limpeza e polimento.

Pintura do quadro

 

quadro ferrugem

 

Visto que  este quadro tem já com alguns pontos de ferrugem, foi necessária a lixagem intensa em alguns pontos. Removi também (com a ajuda de uma rectificadora) alguns apoios que já não iriam ser usados: apoios para a bomba e apoio para um manípulo de mudança.

 

quadro

Quadro já pronto para a lixagem final. De notar que a rosca do tubo de direcção está coberta tal como o eixo pedaleiro. Não queremos tinta nas roscas!

 

quadro pintado

 

Na fotografia acima, podemos ver já o quadro pintado de primário. Usei um primário adequado para pintar superfícies mais danificadas. Dando uma camada mais espessa de tinta, podemos assegurar um acabamento liso e sem defeitos.

Próximo passo: pintar o quadro com a cor final!