Ouro Suíço

A melhor parte de trabalhar com bicicletas antigas é poder ver alguns exemplos clássicos de qualidade velocipédica em primeira mão.

O meu amigo Pedro comprou esta pasteleira clássica Paul Egli, depois de uma recomendação minha. A parte má para ele é que a bicicleta veio desmontada aos bocadinhos dentro de um caixote. A parte boa é que fiquei eu encarregue de transformar a caixa cheia pecinhas numa bicicleta.

A bicicleta, ainda aos bocados.

 

 

Pronta!

 

Olhando para a bicicleta, rapidamente percebemos que, como em muitas outras coisas, os Suíços estão um bocado fora e à frente. Esta bicicleta tem algumas particularidades: é uma bicicleta de excelente qualidade, muito acima da média, pelo menos para uma bicicleta de uso diário. Outra particularidade é o eixo pedaleiro que se lubrifica com óleo, tal e qual a minha bicicleta do exército Suíço.

Um toque britânico é dado pelo clássico cubo Sturmey Archer de 3 velocidades. Antes não podia vê-los à frente, agora até gosto deles. Para uso diário, não há nada mais conveniente do que um cubo de mudanças.

 

Esta bicicleta está em excelente estado. Vê-se que os materiais usados na sua construção são excelentes. Claro que ajudou o facto de a bicicleta ter sido bem cuidada, mas uma grande parte deve-se à boa qualidade do material.

 

Tendo a bicicleta já montada, estava na altura de fazer renascer a bicicleta. Dei uma voltinha, já com o dínamo ligado. Que maravilha, tudo funcionava bem. Travões , mudanças, luzes, caixa de direcção…

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Só prova o seguinte: uma bicicleta boa dura décadas. E poderá ser usada durante décadas se for preciso.

Uma nota final…

E é pena, muita pena, que os exemplares nacionais deste tipo de bicicleta tenham ficado sempre muito aquém da expectativa devido aos fracos materiais usados. É preferível uma bicicleta mais cara, mas bem fabricada, que dure décadas, do que uma bicicleta barata que dentro de um ano estará na sucata. Acima de tudo, é necessário cada vez mais usar os nossos recursos naturais responsavelmente. Menos e melhor!

 

A agonia de comprar uma bicicleta no OLX, parte II

Passando dos andaimes asiáticos para os andaimes nacionais, podemos ver na foto abaixo uma bicicleta descrita como sendo de competição e em bom estado. Os pneus são, de acordo com o vendedor, “baiur” (tubulares) e há muito que estão ressequidos, mas o anúncio continua dizendo que necessita apenas de uma pequena lubrificação.

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Infelizmente, não é o caso. Desta, só se aproveita, e a muito custo, o quadro, garfo e talvez uma ou outra peça. O que é pena, porque se a ferrugem não estivesse já a comer a sobremesa nesta bicicleta, iria dar um restauro bonito.

Lá por dizer Masil, Altis ou Reynolds no quadro, não quer dizer que seja boa compra.

Nesta, nem para pedalar dá.

A agonia de comprar uma bicicleta no OLX, parte I

Comprar uma bicicleta no OLX ou Custo Justo é agoniante. As fotografias más, os preços irreais, as deslocações com indicações do tipo “sai da estrada, segue sempre em frente, vira na sua terceira à esquerda ao pé de uns prédios cor-de-rosa e depois tem uma oficina de caminetes que é do meu tio que esteve emigrado na Suiça (ou Suissa, se seguirmos o acordo ortográfico em vigor no OLX e Custo Justo) e depois liga-me que vou ter consigo”, enfim. Depois disto tudo, encontrar uma bicicleta minimamente aceitável, é obra.

O Tio encontrou uma. Uma bicicleta Porsche. Não, não é uma VOTEC (fabricante das bicicletas Porsche) alemã, com o seu aberrante aspecto de 2043 Odisseia no Espaço, mas sim este andaime asiático de suspensão total.

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Que maravilha!

Bons trilhos.