A oficina do Corvo – dicas

Quando desmontamos uma qualquer peça com rosca, convém termos o máximo cuidado com a mesma. Nada pior do que “encavalitar” uma rosca, por exemplo, de um eixo pedaleiro! Para evitar o desastre e, porque um corvo prevenido vale por dois, sigam então estas dicas fáceis.

1- Limpar sempre as roscas, usando uma escova de dentes velha (que também serve para lavar os dentes da bicicleta – pedaleira, carretos e roldanas do desviador traseiro). Para alem de ser a melhor maneira de fazer as coisas, depois de levar um bocado de massa consistente fresca, a peça enroscará muito melhor. Prestar especial atenção a roscas finas de passo reduzido tais como eixos pedaleiros e manivelas de pedaleira (ao usar um saca-manivelas). Outro sítio a termos cuidado é na rosca da ponteira (desviador traseiro).

eixopedaleiro

Um eixo pedaleiro, limpinho! Montar peças limpas é sempre mais fácil.

rosca

Mesmo que não esteja com aspecto de limpa, a rosca está sem detritos. Isto é o mais importante.

2- Enroscar primeiro a peça à mão, no caso de eixos pedaleiros. Devemos ter a certeza que a peça está a entrar direitinha e não encavalitada. Geralmente, se tivermos limpo tudo bem, conseguiremos enroscar à mão 5 ou 6 voltas. Se enroscarmos à mão, temos a certeza de que não estamos a moer a rosca.

3-Usar um bocadinho de massa consistente nas roscas. Evita a corrosão e torna a nossa vida mais fácil no futuro.

 

 

Maria Bicicleta

MB

A Velo Corvo não recomenda que pedalem descalços. Mas passear na relva poder ser.

Maria Bicicleta- a entrevista

Para os mais atentos, o nome não deverá ser estranho. A Laura Alves, para além de ser mãe de dois gatos, é uma escritora talentosa. No ano passado foi co-autora do livro A Gloriosa Bicicleta. É actualmente redactora da revista B-cultura da bicicleta. E agora acaba de lançar o sítio Maria Bicicleta!

Vamos então falar com a Laura para saber um pouco mais.

VC- Laura, não sabes estar quieta?

Não sei, não. Com a chuva e granizo intensos das últimas semanas, pedalar em Lisboa tornou-se uma actividade um pouco aborrecida e tive de encontrar algo desafiante para me ocupar.

VC- Explica então o que te levou a fazer este sítio.

Há por aí muitas mulheres interessantes a usar a bicicleta como meio de transporte, e com opiniões muito fortes sobre o que é isto da ciclo cultura no feminino. A ideia da “Maria Bicicleta” surgiu de duas vontades idênticas que se cruzaram por acaso. Eu queria fazer um trabalho documental/jornalístico sobre mulheres que andam de bicicleta, e o Vitorino Coragem tinha já essa mesma direcção no seu trabalho fotográfico. Foi um projecto conjunto que surgiu muito naturalmente, pois ambos somos ciclistas e jornalistas com uma forte componente digital.

VC- Porquê só mulheres?

Porque, apesar de andar de bicicleta não ser uma questão de género, as mulheres têm uma forma de estar mais emocional, mais prática, mais natural com a bicicleta. Poder-se-á não concordar com esta visão, mas estamos convictos de que a empatia que as mulheres criam com o acto de pedalar é relativamente diferente da postura tipicamente mais masculina, onde o esprírito competitivo, a componente mecânica ou estética são prioritárias.

VC- As fotografias são obviamente uma grande parte do sítio. Fala-nos sobre elas.

As fotografias são obra do talentoso Vitorino Coragem. Todo o projecto é pensado por ambos, mas vive muito da visão estética que o Vitorino tem. Queremos que sejam fotografias bonitas, delicadas, mas também carregadas de força e de significado. Serão ao todo 20 mulheres a dar o seu testemunho, e em cada semana revelamos uma série de cinco imagens com pequenos textos, resultantes das entrevistas feitas.

VC- Os locais escolhidos para as fotografias, são ideia tua?

Os locais escolhidos para fazer as fotografias estão relacionados com cada mulher – a zona onde moram ou onde trabalham ou uma zona que costumem frequentar por alguma razão. É importante que seja um lugar familiar a cada entrevistada.

VC- Vejo que não há grande texto no site. Porque optaste por menos texto? Hoje em dia, já ninguém lê?

Também porque há alguma preguiça de ler, sim. Mas fundamentalmente porque este é um projecto de pequenas histórias e de partilha de estados de espírito. Não queremos grandes e longas narrativas, mas sim fragmentos pessoais. As imagens contam muitas histórias por si só.

VC- A ideia então é meter as pessoas a andar de bicicleta?

Também, mas sobretudo perceber as motivações de quem já anda de bicicleta, e registar, documentar, partilhar essas motivações.

VC- Mais algum comentário?

Sim. Se tudo correr bem, se o futuro sorrir, queremos transformar este projecto num livro.

VC- Para quando um Zé Carlos Bicicleta?

Quem sabe, quem sabe…

Tudo para correr mal

Continuando a cruzada contra tudo o que é demasiado moderno, hoje viro o meu martelo para as rodas de crabone.
É sabido que rodas leves aumentam a leveza móvel da bicicleta. Mas convém, como aliás em tudo na vida, um equilíbrio.

No caso das rodas Cosmic Carbone Ultimate da Mavic, o equilíbrio foi conseguido: muito dinheiro para a Mavic e rodas perigosamente leves para o ciclista. As rodas com nome de nave espacial custam 2900 euros. O par. Pelo menos os pneus já vêm incluídos no preço.

As rodas Cósmicas de Crabone podem agora rolar em segurança.

Pura magia.

 

Vejamos o que a Mavic tem a dizer sobre as Crabone Cósmicas:

Road & triathlon wheels Cosmic Carbone Ultimate
The Wheel-Tyre System chosen most often by Pro Tour teams. Its full carbon monobloc design perfectly unifies rims, spokes and hubs. Our new proprietary TgMAX technology further enhances braking performance while the new Yksion Pro feather light tubular tyres make it impossible to catch.
Weight : 1185 grams (pair of wheel)

Impressionante! As rodas são mesmo TODAS em Crabone. E são impossíveis de apanhar. Com um preço de 2900 euros, não é de admirar. E têm nome de nave espacial – este ponto é importante.

Mas o cerne da questão é este: quantos quadros de carbono antigos é que vêm por aí a andar pelas estradas fora? Pois. Não muitos. O carbono não dura para sempre. Nada dura para sempre. Não quero dizer com isto que não devam haver peças leves. Não sou assim tão extremista. Mas rodas totalmente feitas em Crabone?

Acho que toda esta loucura tecnológica está a ir longe demais. Para além de retirar o lado divertido do ciclismo, transforma tudo numa competição de joalharia velocipédica.

E, pessoalmente, continuo a achar que rodas com raios 2mm, 36 furos e cabeças em inox duram décadas. E não custam 2900 euros.