A agonia de andar de carro em vez de pedalar, parte I

 

Sim, admito que tenho carro e de vez em quando até o uso. Não devo ser o único dos ciclistas de uso carro e se calhar muitos de vocês partilham da minha agonia. Mas que agonia? Os anúncios do carro prometiam estradas maravilhosas e famílias felizes.

 

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Mulher ao volante, perigo constante. Nem para a estrada olha. Mulheres, estou a brincar (riso nervoso).

 

 

 

 

 

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Impossível. As crianças nem estão a discutir.

 

 

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Isto deve ser ali para os lados de Palmela, não?

 

 

 

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Guiar e fazer para-pente AO MESMO TEMPO. Isso é que era.

 

Em vez de vistas assim, apanhamos, geralmente, com isto:

 

Obrigado, José Rodrigo dos Santos.

Obrigado, José Rodrigo dos Santos. Mãozinha no queixo, para intelectualidade acrescida.

 

Usar o carro, guiar pelas estradas portuguesas é horrendo. Destroi qualquer um. Abaixo seguem alguns exemplos de coisas que contribuem para esta agonia:

 

Panfletinhos irritantes

 

Entramos no carro. Ontem estava cá um que deitei fora, mas hoje já cá está outra vez. Mais um para a colecção.

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Deus te ama. Eu sei Fernando, eu sei. E tu também me vais amar quando me conseguires sacar o Renault a pitroil por 200 euros para o revenderes a 700 porque “as coisas estão difíceis”.

 

 

LCD 32 dois tracinhos? VOU JA.

LCD 32 dois tracinhos? VOU JA.

 

Mafug? Eu não tive uns travões desta marca? Será que ele me consegue sacar o copo do eixo pedaleiro que teima em não sair?

Mafug? Eu não tive uns travões desta marca? Será que ele me consegue sacar o copo do eixo pedaleiro que teima em não sair?

 

Zás. Vou já marcar uma visita.

Zás. Vou já marcar uma visita.

 

Sofás (a maior exposição de Maples do País, na Reboleira, junto aos Escapes Moisés) em desconto, agentes Remax com suas gravatas reluzentes, Mestres Djambos, Bumba, e afins.

Mas o mais comum é o “compro carros mesmo que não andem, para abate e acidentados pago o melhor preço” etc etc etc.

 

Nascem como cogumelos. Já estou a imaginar a conversa telefónica.

 

Zé Carlos dos automóveis- Amigue, quanto custa fazer 1000 panfletes daqueles piquenos?

Tipografia Moisés- Tem de dizer o tamanho que quer, o tipo de papel….

Zé Carlos dos automóveis- Companheiro, é tipo panfleto, prontes, para fazer reclame ao meu stander de automóveis.

Tipografia Moisés- Ah, você tem stand.

Zé Carlos dos automóveis- Bem, não é um stander mesmo, tenho uns carros estacionados ali na retunda centro sul.

Tipografia Moisés- Procurava um Mrucedes a gasoil, tem algum?

Zé Carlos dos automóveis- de momento nada. Mas queria é panfletos. Quanto custam 1000?

Tipografia Moisés- Ora isto fica aí para uns 10 contes na moeda antiga, isto dá tipo 50 aéres.

Zé Carlos dos automóveis- e 10000 panfletes?

Tipografia Moisés- Isso fica mais barate para si. Tá a ver, se fizer mais estrago menos matrial.

Fica para aí nos 20 contes. 50 aéres.

Zé Carlos dos automóveis- tá feite. Depois vejo se encontro um Mrucedes a pitroil. Não quer um Rover a pitroil? Olhe que é bom matrial, está imaculado, só precisa de um bocadinho de massa de polir, que aquilo sai tudo.

Tipografia Moisés- Mas quem é que quer um Rover?

 

 

Azeiteiros

 

Carros com pintura mate, vidros fumados, jantes foleiras, e pior. Autocolantes. Para além disso, geralmente guiam mal. E acham-se donos do mundo, não apenas da estrada.

 

Bonito.

Bonito.

 

 Bombas de gasolina

 

Vendem quase tudo menos gasolina. Pelo menos com a dificuldade que tenho cada vez que quero meter gasolina, é assim que me parece. Chocolatinhos, jornais, pãozinho, café, bolinhos, bolachas, revistas, cigarros, whisky caríssimo, pilhas, etc. Abaixo segue uma situação comum numa bomba de gasolina.

 

Como sempre, escolho a fila que demora mais- a pessoa à minha frente decidiu transferir os pontos do cartãozinho para sei lá aonde.

Como sempre, escolho a fila que demora mais- a pessoa à minha frente decidiu transferir os pontos do cartãozinho para sei lá aonde.

“bomba em pré-pagamento” (começa bem)

 

eu- Boa tarde, queria meter 20 euros sem chumbo 95 na bomba 4.

funcionária desinteressada- olhe que tem de esperar que o senhor que está à sua frente acabe de abastecer.

….compasso de espera….

 

(conversa habitual ouvida entretanto)

-queria um café em chavena escaldada

-podia aquecer o rissol?

-queria um copo de água

-Esta bola tem creme?

-não, é o outro mais queimadinho

-…e um pacote de Português Suave.

 

eu- já posso pagar?

Funcionária desinteressada- espere só um bocado (desaparece e volta para tirar mais uns cafés)

..compasso de espera

diga lá

eu- queria meter 20 euros de sem chumbo 95 na bomba 4.

funcionária desinteressada- é só?

eu- sim

funcionária desinteressada- tem cartão de pontos?

eu- não

funcionária desinteressada– e não quer um?

Eu-NÃO

funcionária desinteressada- olhe que dá pontos

eu-não quero, obrigado

funcionária desinteressada-e cartão poupa mais?

Eu-não, só queria meter gasolina E IR-ME EMBORA

funcionária desinteressada- e não quer aproveitar a nossa promoção para levar um chocolatinho? São dois por preço de um.

eu- ….

 

 

Taxistas

 

É preciso dizer mais alguma coisa?

Abaixo, podemos ver o que uma pessoa normal vê na estrada.

 

Espera, não era esta a fotografia.

Espera, não era esta a fotografia.

 

Eu sei, falta o para-pente e o dia de Sol, mas na vida real é assim. Aguentem!

Eu sei, falta o para-pente e o dia de Sol, mas na vida real é assim. Aguentem!

 

Abaixo, o que um taxista vê.

 

"Vai ser um granda jogo, o Robalinho está a jogar para caraças"

“Vai ser um granda jogo, o Robalinho está a jogar para caraças”

E isto é só uma pequena amostra… Eventualmente irei usar o carro outra vez. E virá a parteII.

Até lá, usem a bicicleta, deixem o carro em casa.

 

Como transformar uma mochila de criança antiga num alforge

Com tanto tempo gasto a bater tudo o que é feira de velharias, mal seria se de vez em quando não conseguisse encontrar algo mesmo bom.

Desta vez, encontrei uma antiga mochila para crianças. Aparentava estar nova. Por 8 euros, pensei: melhor trazer, senão arrependo-me.  Isto porque iria transformá-la num alforge.

Aqui está o resultado final. Até condiz com a cor da bicicleta.

Aqui está o resultado final. Até condiz com a cor da bicicleta.

 

Em primeiro lugar, retirei as alças da mochila. Na verdade, nesta mochila, era apenas uma alça que se dividia em duas junto aos ombros, via uma argola.  Guardei esta alça, pois já tinha uso para ela, como veremos.

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No interior, inseri uma placa de plástico, vinda de uma tampa de uma caixa de arrumação que alguém fez o favor de deitar fora. Prendi essa mesma placa às costas da mochila juntamente com um tubo de alumínio, também encontrado por aí. Dois parafusos inox fizeram o trabalho de segurar tudo.

 

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Já do lado de fora e nas costas da mochila, coloquei a tal alça que aproveitei, e de seguida, em cada parafuso, coloquei uma pequena fivela de cabedal, também comprada numa qualquer feira.

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E aqui está a tal alça. Quando a bicicleta está em andamento, simplesmente guarda-se dentro do alforge. Quando saímos da bicicleta, basta desapertar as duas fivelas de cabedal que prendem o alforge ao porta-bagagens, retirar a alça para o ombro e já está!

Por cerca de 10 euros e alguma paciência, podemos ter um alforge compacto, ideal para passeios de dia. Este tem espaço suficiente para ferramentas, câmara de ar, impermeável, casaco, comida, máquina fotográfica e claro, a cafeteira.

 

 

Sacos para bicicleta feitos à mão em Portugal- Entrevista com o Rui da Albarda

Bom dia Rui! Uma pequena introdução à marca?

A Albarda é uma marca jovem que se dedica à  construção de malas/bolsas para bicicleta, principalmente para instalação no selim.
O produto é todo ele nacional, desde quem o pensou, passando pelas matérias-primas usadas até às mãos que o constroem. Resulta de uma sinergia entre diferentes criativos, que decidiram juntar os trapos e pôr mãos-à-obra!
Pretendemos que a qualidade dos materiais que usamos na Albarda garantam que é funcional, sólida e preparada para os chamados heavy duties como por exemplo: as mudanças temperamentais do S. Pedro que habitualmente trazem chuva e para as quais a Albarda se preveniu usando materiais resistentes à mesma.
Os ciclistas mais exigentes vão certamente gostar da sua construção robusta e o melhor é que podem personalizar a sua Albarda mudando as cores do tecido, sistemas de fecho, uso ou não de elementos reflectores e por aí fora.
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Porquê o nome Albarda?
Talvez porque é uma palavra em desuso, por ter uma ligação directa com o transporte de carga. Albarda-se o burro à vontade do dono, que é como quem diz, faz-se a mala à vontade do dono.

Geralmente, as malas para bicicleta são fabricadas com lona ou até materiais sintéticos. Foi uma insistência da tua parte usar materiais “tradicionais” como a lona, lã, e cabedal?

Sim, essa foi uma condição essencial para o arranque da ideia. De alguma forma mostrar que os materiais tradicionais ainda podem ser usados de forma surpreendente, aliando a estética à funcionalidade.
Porquê usar a lã como material principal?
A ideia surgiu quando segurava uma mala de senhora. Já conhecia o material mas nunca me tinha passado pela cabeça fabricar uma mala de bicicleta a partir daquele tipo de tecido. De repente, tudo fez sentido, a origem do tecido, a sua utilização primária contra os elementos naturais, a textura e cores.
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Quem fabrica as malas?
As malas são fabricadas por duas criadoras que dominam as artes da costura e que deram provas de estar à altura do projecto quando criaram o protótipo. Era importante que fossem profissionais e estivessem motivadas para dar corpo a este projecto e assim aconteceu. Ou seja, todo o trabalho é manual e artesanal. As tesouras e máquinas de costura são as ferramentas usadas. Mesmo que os pedidos aumentem, todas as malas serão feitas com tempo e fora das engrenagens da indústria.
Como vês a produção local nesta época globalizada e massificada?
Apesar de tudo, continua-se a valorizar a produção local de qualidade. Mesmo numa perspectiva global, temos excelentes exemplos onde existem filas de espera para um determinado produto, quer seja um quadro de bicicleta ou uma mala. Isso só pode ter um significado forte nestes tempos de produção em massa.
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Relativamente a modelos, vejo que para já, apresentaste um único modelo. Quais são as tuas intenções para o futuro?
 
Até agora todas as malas tem sido feitas com base em pedidos dos seus donos, quer seja a nível de cores ou de pormenores. Gostava que não houvesse duas malas iguais mas tenho algumas ideias na manga. Talvez não se venha a ter modelos diferentes mas sim vários pormenores diferentes de onde se possa escolher.
Relativamente a preços, poderás avançar um preço médio para os teus sacos?
Depende um bom bocado das opções escolhidas mas ronda uma média de 140€.
Como é que as pessoas podem entrar em contacto contigo?
Através do site www.albarda.pt, email info@albarda.pt ou na página de FB https://www.facebook.com/albardamala.