Viagem Lisboa – Montargil- dia 2: um dia rigorosamente sem bicicleta

Dia de descanso!

Tirando lições da última viagem que fizemos, definimos logo que haveria um dia para descansar. Afinal de contas, lá por estarmos a andar de bicicleta, não quer dizer que tenhamos de sofrer horrores!

Ao contrário do primeiro dia, o Sol não brilhava. E até estava um bocadinho desagradável.  A piscina tresandava a cloro. Era dia de vestoria. E as moscas eram muitas. E as crianças só faziam barulho. A piscina não era para nós.

Fomos então até à barragem.

A vista era de facto bonita.

A vista era de facto bonita.

 

 

Efeito espelho e tudo!

Efeito espelho e tudo!

 

 

 

 

Ahhh , a toalhinha a assentar naquelas pedrinhas.

Ahhh , a toalhinha a assentar naquelas pedrinhas.

 

Não era o local mais confortável para estender a toalha.

Até que reparamos que o parque de campismo alugava canoas. Alugava canoas a um preço que mais tarde viemos a perceber que era perigosamente baixo.

Como nunca tinha andado de canoa, e como era apenas 10 euros por duas horas de milhões de diversão, lá fomos nós.

 

 

1, 2, 1 , 2 , 1 , 2

1, 2, 1 , 2 , 1 , 2

Rapidamente apercebemos-nos de duas coisas:

1-remar custa

2-não sabíamos remar

Com a barragem de Montargil mesmo, mesmo lá ao fundo, decidimos que duas horas iria dar mais do que tempo para lá chegarmos. Afinal de contas, não sabíamos remar, mas rapidamente iríamos aprender.

Paisagem e mais paisagem. E a barragem lá ao funnndo.

Paisagem e mais paisagem. E a barragem lá ao funnndo.

 

Percebemos agora porque é que o preço do aluguer era tão baixo. Remar custa. Custa muito. Deviam subir o aluguer para não haver ideias.

De volta ao parque de campismo,  os nossos vizinhos da frente acabavam de receber a visita do Zézito.

Zé Carlos pronto para o trabalho, já em tronco nu.

Zé Carlos pronto para o trabalho, já em tronco nu.

 

O atrelado é uma tenda de dimensões avantajadas.

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Atrelado em posição.

 

E nasce uma borboleta.

E nasce uma borboleta.

 

Plof. Montada!

Plof. Montada!

 

O jipe vinha, claro, carregado até ao tecto.

O jipe vinha, claro, carregado até ao tecto. Pronto para a aventura!

 

Olhando para as nossas simples bicicletas com alforges, decidimos que afinal não éramos campistas a sério. Para já trouxemos camisas, o que claramente não era necessário para acampar. Fomos então dar um giro pelo parque para ver como é que se acampa a  sério.

 

campismoaserio

Claramente não percebemos nada disto. Nem MEO trouxemos na bicicleta. Nem um bocadinho de relva falsa. A tenda mais à direita é uma cozinha. A sério.

 

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Seis mil euros parece-me um bom preço. Reparem na excelente mobília de inox. Aquilo nunca mais acaba! Relote, avançado, tenda de cozinha, mobília de inox… excelente negócio!

 

Nós nem pedrinhas tínhamos à volta das tendas, criando assim um jardinzinho de inspiração Japonesa. Mestre.

Nós nem pedrinhas tínhamos à volta das tendas, criando assim um jardinzinho de inspiração Japonesa. Nem cactos, nem cadeiras de jardim ressequidas. 

Para apagar as mágoas, voltámos às nossas tendas microscópicas e fizemos um café no nosso fogão microscópico.

Para apagar as mágoas, voltámos às nossas tendas microscópicas e fizemos um café no nosso fogão microscópico.

Enquanto comíamos a nossa micro-marmelada nas nossas micro-bolachas, pensámos. Será que é isto que é acampar?

Pelo menos, o jantar estava bom.

 

As 1001 dicas do Tio para pedalarem felizes-6

Dica 6

A não ser que tenham uma sorte incrível, eventualmente vão ter algum problema mecânico na bicicleta. E, de forma a evitar irem a pé para casa, existem ferramentas.

Vamos então dar uma vista de olhos ao meu conjunto de ferramentas habitual.

Para já, sim, sei que pode ser um bocado exagerado. Mas como geralmente ando com bicicletas antigas, mais vale prevenir, do que ir a pé.

ferramentas grande

1- Câmara de ar. Convém não estar furada ou mal remendada. E, claro, convém ser do tamanho correcto.

2- Alavancas para retirar pneus. Já tentaram tirar pneus sem ferramentas? Ou com colheres do café mais próximo? Pois. Estas são de metal, o que quer dizer que não se vão partir quando mais precisares delas.

3- Ferramenta multi da Park Tools. Meti-lhe um mosquetão para a pendurar à cintura. Dá sempre jeito ter chaves deste tipo à mão.

4- Chave inglesa pequena. Serve para muitas porcas. E desempena dentes de pedaleira também!

5- Multi-usos Topeak. Milhares de chaves sextavadas, quebra correntes miniatura, chave de fendas e phillips. Uma maravilha. Ah, e tem também alavancas de pneus (em plástico) e chave de raios.

6- Conjunto de remendos. Quando a câmara de ar falha, ou tens dois furos, ou tens tempo e apetece-te remendar o furo a ver a paisagem.

7- Leatherman Crunch. O nome parece de um chocolate mas é mesmo um alicate de pressão miniatura. Dá sempre jeito. Ah, e também tem abre-latas, saca caricas, faquinha, etc etc etc.

8- Chave 8/10. Sempre precisas para travões, para-lamas, porta-bagagens…

9- Chave 8/10. Ok, se calhar ando com uma chave repetida. Sou eu que carrego o peso.

10-Chave 9 /chave de raios- A chave 9 dá sempre jeito para desviadores. A chave de raios, para dar aquele jeitinho.

11- Chave de raios a sério. (Park Tools)

12- Quebra correntes a sério. (Park Tools)

Falta na fotografia uma bomba. Com tanta escolha, a bomba fica para uma próxima dica.

 

Viagem Lisboa – Montargil- dia 1: no mapa, parecia mais perto.

Início-

“Mas não vai estar muito calor para a semana?”

“Sim, e daí? Até parece que vais fazer uma corrida. São só para aí 100 quilómetros”

“E vamos até aonde?”

“Ouvi dizer que Montargil era giro”

“Ok, bora.”

Vamos pedalar-

E assim foi. Aproveitando alguns dias livres, decidimos ir até Montargil. Tentar levar menos tralha, ver paisagens bonitas e sofrer em estradas intermináveis ao mesmo tempo que pensávamos o que iríamos escrever no anúncio do OLX para vender as bicicletas.

A nossa viagem começou em Carnaxide. Daí, era um saltinho até a estação de Alcântara-Terra. Em Algés, passa por nós um tipo a pedalar uma bicicleta de supermercado a todo gás. Já em Belém, ainda pedalava xeidaforça até que lhe ficou um pedal pelo caminho. Como íamos apanhar um comboio, não podíamos parar. Desculpa, amigo!

Por mais que se queira, a tralha ganha volume.

Já em Alcântara, foi tempo de comprar o bilhete.

Horas perdidas a entender o funcionamento destas coisas.

Seguiu-se a habitual luta com a máquina de bilhetes. Estas máquinas, instaladas pelo departamento de sofrimento e insatisfação da C.P, foram desenvolvidas para tornar a compra de um simples bilhete numa experiência sádico-científica. Aposto que o chefe de estação está à janela, a avaliar o tempo que cada pessoa demora para comprar o raio do bilhete. E esfrega as mãos. E ri.

giphy

Como o pequeno almoço foi logo queimado no duro trajecto Algés-Alcântara, estava na altura do reforço. Logo ali estava um quiosque /café que tinha bolas de Berlim. A comida ideal, claro. E assim foi. A comer cada um a sua bola de Berlim, ouvíamos os rapazes tóxico-independentes.

 

“Aiiiiiii, Tónito, ganda ginga”

“Sim, foram duzentas balas, fui bescá-la ontem” (o Tónito pedalava uma bicla da Decathlon)

Nisto, o Tónito repara nos nossos bólides e comenta. “Elah, dois Brooks. São iguais aos meus. Meus, salvo seja”

Pois. Obrigado Alcântara.

viagemazambuja

Entrámos no confortável comboio da C.P que nos iria levar até a Azambuja. Viagem tranquila.

Já na Azambuja, pudemos contemplar a belíssima arquitectura da estação de comboio.

 

Que bonito.

Reparem só nesta obra mestra. A rampa de acesso, tão acolhedora.

Pelo menos, dá para ir de bicicleta.

Pelo menos, dá para ir de bicicleta.

 

A rampa vai dar a este bonito jardim.

A rampa vai dar a este bonito jardim.

 

Na Azambuja, houve tempo para comprar água, pois já não estava aquele fresquinho matinal, tirar fotos e reparar que nesta terra se podia comer sandes de tripa, bucho e courato. Que maravilha.

hm hmmmmm

Foi tempo de começar a pedalar. Estrada Nacional até Santarém. Tudo tranquilo. Breve paragem para ver este muro pintado com frases bíblicas. Belo trabalho.

jesussalva2

 

jesussalva

Já me tinham dito que havia uma subida até Santarém muito difícil. Mas como ainda era cedo, fez-se bem.

A subida não é esta.

A subida não é esta.

Santarém é uma terra muito bonita. Mas, neste dia, foi só de passagem, pois para além de querermos chegar a Montargil antes de escurecer, disseram-nos que em Almeirim é que se comia boa sopa da pedra. E já estava a ficar perto da hora de almoçar.

A descida de Santarém até Almeirim é qualquer coisa. Recomendo.

Aliás, esta paisagem toda é linda.

Quase na ponte sobre o rio Tejo.

 

..e Santarém lá em cima.

 

Mesmo à entrada de Almeirim. Para quem procura um carro, estes tipos rasgam tudo.

Em Almeirim, almoço excelente. Por 5,99€, comemos um “menu” que incluía sopa da pedra, um copo de vinho ( que pedimos para trocar por Coca-Cola, “não devia trocar, mas vá, pode ser” ) e uma bifana. O restaurante também não tinha serviço de esplanada, mas as coisas apareceram na mesa de qualquer maneira. “Se perguntarem, não fui eu que vim aqui trazer a comida”. “Claro, claro”.

5,99€. É preciso dizer mais alguma coisa?

A sopa estava tão boa que nem me lembrei de pedir cubos de gelo para a Coca-Cola. Porque raio é que em Portugal parece haver uma falta tremenda de gelo? Haverá algum racionamento de gelo que desconheço?

Após Almeirim, ou melhor, após o almoço, pedalar foi complicado. É complicado depois do almoço.

 

 

Estradas intermináveis até Montargil. Raios, no mapa parecia mesmo perto.

interminavel

Nestas alturas, pensamos em trocar de modalidade, comprar bicicletas eléctricas, pedir boleia a estranhos.

Enfim. Felizmente estava muito calor e sol, para ajudar.

 

O calor apertava, e jurei ver Lamas.

 

"vende-se bicicleta, bom estado. Motivo: troca de modalidade".

 

Fustigados por animais aos saltos durante quilómetros.

Após quatro horas a pedalar, chegámos ao parque de campismo! Que naquela altura do campeonato, parecia um palácio. Mas, após reflexão cuidada no dia seguinte, as coisas não eram bem o que pareciam. Mas isto fica para a segunda parte.

Vá, até valeu a pena o esforço!

Até lá, apertem com vocês mesmos!