Maria Bicicleta

MB

A Velo Corvo não recomenda que pedalem descalços. Mas passear na relva poder ser.

Maria Bicicleta- a entrevista

Para os mais atentos, o nome não deverá ser estranho. A Laura Alves, para além de ser mãe de dois gatos, é uma escritora talentosa. No ano passado foi co-autora do livro A Gloriosa Bicicleta. É actualmente redactora da revista B-cultura da bicicleta. E agora acaba de lançar o sítio Maria Bicicleta!

Vamos então falar com a Laura para saber um pouco mais.

VC- Laura, não sabes estar quieta?

Não sei, não. Com a chuva e granizo intensos das últimas semanas, pedalar em Lisboa tornou-se uma actividade um pouco aborrecida e tive de encontrar algo desafiante para me ocupar.

VC- Explica então o que te levou a fazer este sítio.

Há por aí muitas mulheres interessantes a usar a bicicleta como meio de transporte, e com opiniões muito fortes sobre o que é isto da ciclo cultura no feminino. A ideia da “Maria Bicicleta” surgiu de duas vontades idênticas que se cruzaram por acaso. Eu queria fazer um trabalho documental/jornalístico sobre mulheres que andam de bicicleta, e o Vitorino Coragem tinha já essa mesma direcção no seu trabalho fotográfico. Foi um projecto conjunto que surgiu muito naturalmente, pois ambos somos ciclistas e jornalistas com uma forte componente digital.

VC- Porquê só mulheres?

Porque, apesar de andar de bicicleta não ser uma questão de género, as mulheres têm uma forma de estar mais emocional, mais prática, mais natural com a bicicleta. Poder-se-á não concordar com esta visão, mas estamos convictos de que a empatia que as mulheres criam com o acto de pedalar é relativamente diferente da postura tipicamente mais masculina, onde o esprírito competitivo, a componente mecânica ou estética são prioritárias.

VC- As fotografias são obviamente uma grande parte do sítio. Fala-nos sobre elas.

As fotografias são obra do talentoso Vitorino Coragem. Todo o projecto é pensado por ambos, mas vive muito da visão estética que o Vitorino tem. Queremos que sejam fotografias bonitas, delicadas, mas também carregadas de força e de significado. Serão ao todo 20 mulheres a dar o seu testemunho, e em cada semana revelamos uma série de cinco imagens com pequenos textos, resultantes das entrevistas feitas.

VC- Os locais escolhidos para as fotografias, são ideia tua?

Os locais escolhidos para fazer as fotografias estão relacionados com cada mulher – a zona onde moram ou onde trabalham ou uma zona que costumem frequentar por alguma razão. É importante que seja um lugar familiar a cada entrevistada.

VC- Vejo que não há grande texto no site. Porque optaste por menos texto? Hoje em dia, já ninguém lê?

Também porque há alguma preguiça de ler, sim. Mas fundamentalmente porque este é um projecto de pequenas histórias e de partilha de estados de espírito. Não queremos grandes e longas narrativas, mas sim fragmentos pessoais. As imagens contam muitas histórias por si só.

VC- A ideia então é meter as pessoas a andar de bicicleta?

Também, mas sobretudo perceber as motivações de quem já anda de bicicleta, e registar, documentar, partilhar essas motivações.

VC- Mais algum comentário?

Sim. Se tudo correr bem, se o futuro sorrir, queremos transformar este projecto num livro.

VC- Para quando um Zé Carlos Bicicleta?

Quem sabe, quem sabe…

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Ir tomar café à Serra.

Lá por irmos acampar uma noite fora de casa, não quer dizer que tenhamos de sobreviver apenas com sanduíches e pacotinhos de sumo.

E, porque um café sabe sempre bem quando está frio, quando vou acampar trago sempre comigo uma cafeteira italiana das mais pequenas.

Pesa pouco e é bem melhor do que beber café instantâneo. Levo o café já moído numa caixinha de rolo fotográfico. Uma caixinha leva café suficiente para duas ou três chávenas.

 

cafe

 

As instruções são simples: meter água na cafeteira, juntar café. Aquecer tudo no fogão de campismo. Beber café, aproveitar a vista e o momento.

Afinal de contas, quando se acampa, o tempo anda mais devagar!

 

vista

 

 

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Uma de muitas parte II- Militärvelo M05

Posso ter algumas bicicletas. Não sei se serão demais. Mas, de todas, há uma que considero A bicicleta: uma bicicleta do exército Suíço de 1944.

A Suíça é um país sui generis: conhecida pelas paisagens tipo postal perfeito, canivetes, relógios e queijo, é também dotada de uma das forças armadas mais únicas do Mundo.  Algumas das montanhas suíças têm no seu interior bases aéreas, com portas escondidas entre árvores e rochedos – algo saído de um filme do James Bond. Será então surpreendente dizer que só nos anos 90, foi extinta a brigada de comunicações que usava nada mais nada menos que pombos correio. E, neste contraste entre o antigo e moderno, existe a bicicleta militar Suíça.

Este modelo específico esteve em uso desde 1905 (!) até meados de 1993. Neste ano foi introduzido um novo modelo que contava já com sete mudanças, para alívio dos soldados. A pior parte foi quando descobriram que continuariam a ter de carregar mais de 30 quilos de equipamento…

vista geral

À primeira vista a Militärvelo M05 parece uma pasteleira “normal”. Mas, olhando com mais atenção, a história é outra. Vejamos então.
O projecto inicial para esta bicicleta, seria para que esta durasse 100 anos, se acreditarmos no boato. Basta dar umas pedaladas para perceber que este boato não está muito longe da verdade.

selimgeral

O selim, de cabedal (claro), confere ao ciclista conforto através das molas.

 

dataselim

A data não mente, este quadro faz este ano 69 anos de uso.

O quadro é fabricado em aço (claro!) de tubagem grossa. As uniões conferem ao quadro uma resistência fora do comum. Não houve realmente uma preocupação em manter a bicicleta leve.

Relativamente aos componentes, vemos logo que tudo é de altíssima qualidade. Desde os cubos que ainda rolam como se de um novíssimo Mavic se tratasse, passando pelo selim, de cabedal, e pela caixa de direcção, tudo é feito para durar.

cubo frente

O cubo da frente, fabricado pela EDCO. No centro do cubo, encontramos uma pequena tampa: abrindo-a, podemos lubrificar o cubo com óleo.

pedais

Bastante largos, estes robustos pedais possibilitam pedalar com qualquer tipo de calçado.

Esta durabilidade é conseguida à custa de materiais de alta qualidade, tolerâncias de fabrico apertadas e claro, peso alto. O peso total da bicicleta ronda os 25 quilos. A relação carreto-pedaleira não é a mais “leve”, tendo a pedaleira 46 dentes e o carreto 20. A corrente parece saída de uma mota. Subir com esta bicicleta é um investimento para o futuro na forma física.
Relativamente a mudanças, não era de todo um conceito difundido na altura que a bicicleta foi desenvolvida, nem os Suíços iam perder a cabeça numa modernice destas. Para andar mais depressa, temos de pedalar com mais força. É assim tão simples. Ou não…

transmissão

Podemos ver que tudo nesta transmissão é construído para durar. Reparem no pormenor do esticador de corrente no eixo traseiro.

pedaleira

A corrente é bastante mais larga do que uma corrente normal. No tubo do selim, vemos a bomba.

Quando precisamos de parar, contamos com três (!) travões: um travão à frente, que nada mais é que um calço de borracha a assentar directamente em cima do pneu, e atrás, um travão contra-pedal e um travão de tambor.

luzes

Luz frontal com dínamo. Este dínamo alimenta também a luz traseira. Logo em cima do pneu da frente, o referido travão.

 

cubo tras

Conjunto travão tambor e contra pedal.

 

campainha

A obrigatória campainha.

 

A pequena bolsa de cabedal no quadro contém um conjunto de ferramentas que possibilita a reparação da maior parte das avarias que possam acontecer.

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Rodas 650B!

geral
Não me canso de dizer bem desta bicicleta. Sempre que abro a porta da garagem, a bicicleta Suíça está sempre pronta a rolar. As outras podem ter um pneu em baixo ou qualquer outro problema mecânico, mas esta, está sempre pronta. E por isso, é A bicicleta.

plafloresta

Sempre pronta!

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