A oficina do Corvo – dicas

Quando desmontamos uma qualquer peça com rosca, convém termos o máximo cuidado com a mesma. Nada pior do que “encavalitar” uma rosca, por exemplo, de um eixo pedaleiro! Para evitar o desastre e, porque um corvo prevenido vale por dois, sigam então estas dicas fáceis.

1- Limpar sempre as roscas, usando uma escova de dentes velha (que também serve para lavar os dentes da bicicleta – pedaleira, carretos e roldanas do desviador traseiro). Para alem de ser a melhor maneira de fazer as coisas, depois de levar um bocado de massa consistente fresca, a peça enroscará muito melhor. Prestar especial atenção a roscas finas de passo reduzido tais como eixos pedaleiros e manivelas de pedaleira (ao usar um saca-manivelas). Outro sítio a termos cuidado é na rosca da ponteira (desviador traseiro).

eixopedaleiro

Um eixo pedaleiro, limpinho! Montar peças limpas é sempre mais fácil.

rosca

Mesmo que não esteja com aspecto de limpa, a rosca está sem detritos. Isto é o mais importante.

2- Enroscar primeiro a peça à mão, no caso de eixos pedaleiros. Devemos ter a certeza que a peça está a entrar direitinha e não encavalitada. Geralmente, se tivermos limpo tudo bem, conseguiremos enroscar à mão 5 ou 6 voltas. Se enroscarmos à mão, temos a certeza de que não estamos a moer a rosca.

3-Usar um bocadinho de massa consistente nas roscas. Evita a corrosão e torna a nossa vida mais fácil no futuro.

 

 

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Ouro Suíço

A melhor parte de trabalhar com bicicletas antigas é poder ver alguns exemplos clássicos de qualidade velocipédica em primeira mão.

O meu amigo Pedro comprou esta pasteleira clássica Paul Egli, depois de uma recomendação minha. A parte má para ele é que a bicicleta veio desmontada aos bocadinhos dentro de um caixote. A parte boa é que fiquei eu encarregue de transformar a caixa cheia pecinhas numa bicicleta.

A bicicleta, ainda aos bocados.

 

 

Pronta!

 

Olhando para a bicicleta, rapidamente percebemos que, como em muitas outras coisas, os Suíços estão um bocado fora e à frente. Esta bicicleta tem algumas particularidades: é uma bicicleta de excelente qualidade, muito acima da média, pelo menos para uma bicicleta de uso diário. Outra particularidade é o eixo pedaleiro que se lubrifica com óleo, tal e qual a minha bicicleta do exército Suíço.

Um toque britânico é dado pelo clássico cubo Sturmey Archer de 3 velocidades. Antes não podia vê-los à frente, agora até gosto deles. Para uso diário, não há nada mais conveniente do que um cubo de mudanças.

 

Esta bicicleta está em excelente estado. Vê-se que os materiais usados na sua construção são excelentes. Claro que ajudou o facto de a bicicleta ter sido bem cuidada, mas uma grande parte deve-se à boa qualidade do material.

 

Tendo a bicicleta já montada, estava na altura de fazer renascer a bicicleta. Dei uma voltinha, já com o dínamo ligado. Que maravilha, tudo funcionava bem. Travões , mudanças, luzes, caixa de direcção…

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Só prova o seguinte: uma bicicleta boa dura décadas. E poderá ser usada durante décadas se for preciso.

Uma nota final…

E é pena, muita pena, que os exemplares nacionais deste tipo de bicicleta tenham ficado sempre muito aquém da expectativa devido aos fracos materiais usados. É preferível uma bicicleta mais cara, mas bem fabricada, que dure décadas, do que uma bicicleta barata que dentro de um ano estará na sucata. Acima de tudo, é necessário cada vez mais usar os nossos recursos naturais responsavelmente. Menos e melhor!

 

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Evita os roubos!

Todos nós, em princípio, gostamos das nossas bicicletas. E, infelizmente, há pessoas que gostam tanto das nossas bicicletas que querem ficar com elas.

Roubando-as.

Há passos que podemos tomar para garantir que a nossa bicicleta fica mais segura quando a deixamos na rua ou prédio.

Vejamos então o que podemos fazer!

  • Não deixar a bicicleta na rua durante a noite. Mesmo com os melhores cadeados do mundo, estamos a sujeitar a bicicleta a todo o tipo de vandalismo. Se não a conseguirem roubar na totalidade, podem simplesmente roubar as peças.
  •  Não facilitar. Com isto quero dizer que se não estão preparados para ficar sem a bicicleta, não a deixem “5 minutos” enquanto vão ao café comer uma bola de berlim. Usem sempre um cadeado. O mesmo se aplica a deixar a bicicleta no vão de escada enquanto vão a casa só por um minuto.

Temos de distinguir então deixar a bicicleta presa durante 5 minutos de deixá-la presa durante mais tempo, enquanto trabalhamos ou vamos ao cinema, por exemplo.

  •  Se a deixarmos presa durante 5 minutos enquanto vamos ao café ou ao supermercado, podemos usar um cadeado apenas, mas isto fica ao critério de cada um. Recomendo nunca facilitar.
  •  Se queremos então ter a bicicleta sempre segura, teremos de seguir esta regra de ouro: usar sempre dois cadeados bons. Dois cadeados bons e de tipos diferentes. Podemos usar uma corrente grande para o quadro e roda de trás e um cadeado em “U” para a roda da frente. Se quisermos jogar mesmo pelo seguro, podemos colocar um terceiro cadeado no selim. Porque é que vamos usar dois cadeados? Para ter um efeito dissuasor; um ladrão ou potencial ladrão (porque afinal de contas, a ocasião faz o ladrão), ao ver os dois cadeados bons, pensará logo que dará muito trabalho cortar ou arrombá-los, e que demorando mais tempo, o risco será maior!
cadeadosbicicleta

Dois cadeados bons! Um prende a roda de trás e quadro. O outro prende a roda da frente ao quadro. A situação ideal seria prender a roda da frente a outro poste. Nem sempre temos um gradeamento à mão, por isso, por vezes, esta é a solução encontrada.

cadeadorodatras

Certifiquem-se de que o cadeado passa pelo quadro e roda de trás. E pelo poste, claro.

Quanto a guardar a bicicleta em vãos de escada, garagens de prédios e arrecadações, uma vez que grande parte (e arrisco até dizer a maior parte) das bicicletas são roubadas destes locais:

  •  Tenham especial atenção a garagens comuns dos prédios. Procedam como na rua, e, se possível, deixem as bicicletas sempre fora de vista, dentro de uma arrecadação trancada. Mesmo dentro da arrecadação, tentem prender a bicicleta a algo imóvel com um cadeado. Se não tiverem arrecadação, tranquem a bicicleta seguindo as indicações.
  • Também não recomendo guardar a bicicleta em vãos de escada; para além de incomodar os vizinhos, caímos sempre em tentação de não trancar convenientemente as bicicletas, abrindo assim a porta a amigos do alheio.

Ao prender a bicicleta:

  •  Cuidado com o poste que usamos! Está bem preso ao chão? Se não estiver, podemos arrancar o poste do chão e carregar a bicicleta para casa.
  •  Prendemos bem a bicicleta? Mesmo usando um cadeado, deixámo-lo preso ao poste? Acontece mais vezes do que pensam, deixar a bicicleta presa a nada.
poste

Atenção a estes postes! Por vezes, podem estar soltos na base, deixando a bicicleta à solta para quem a queira levar a passear de carrinha…

Que cadeado usar?

cadeados bons

À esquerda, um cadeado de cabo de aço grosso. À direita, uma corrente grande. A corrente será a que oferecerá o nível de protecção superior. O cabo de aço será sempre um cadeado secundário.

  •  Devemos evitar cadeados de má qualidade. O barato sai mesmo caro, neste caso. Não vale a pena ter uma bicicleta cara se a deixarmos presa a um poste com um cadeado que se arromba em 30 segundos.
  • Os piores cadeados são os que têm cabos de aço finos envoltos em plástico. Podem parecer resistentes, mas qualquer alicate de corte ou serra de metal cortam o cabo em menos de meio minuto.
  •  Os meus preferidos são os cadeados pesados, presos a correntes também grandes e pesadas. A vantagem é poderem abraçar o quadro, roda de trás e um poste grande.
  •  Os cadeados em U são bons e muito difíceis de arrombar ou cortar. Mas também têm o defeito de, por vezes, não conseguirem abraçar a roda de trás, quadro e poste!
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Parecia resistente! Infelizmente, um bocado de paciência e um alicate de corte, desfazem este cabo em minutos. Se usarmos uma serra, nem 20 segundos.

Uma nota final relativamente a apertos rápidos do selim e rodas: dão jeito para retiramos as rodas e ajustarmos o selim sem ferramentas, mas também facilitam a vida aos amigos do alheio. Para resolver este problema, substituam o aperto rápido do selim por uma porca e parafuso. Os apertos rápidos das rodas podem ser substituídos por apertos rápidos anti-roubo!

Não facilitem e boas pedaladas!

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