As 1001 dicas do Tio para pedalarem felizes-6

Dica 6

A não ser que tenham uma sorte incrível, eventualmente vão ter algum problema mecânico na bicicleta. E, de forma a evitar irem a pé para casa, existem ferramentas.

Vamos então dar uma vista de olhos ao meu conjunto de ferramentas habitual.

Para já, sim, sei que pode ser um bocado exagerado. Mas como geralmente ando com bicicletas antigas, mais vale prevenir, do que ir a pé.

ferramentas grande

1- Câmara de ar. Convém não estar furada ou mal remendada. E, claro, convém ser do tamanho correcto.

2- Alavancas para retirar pneus. Já tentaram tirar pneus sem ferramentas? Ou com colheres do café mais próximo? Pois. Estas são de metal, o que quer dizer que não se vão partir quando mais precisares delas.

3- Ferramenta multi da Park Tools. Meti-lhe um mosquetão para a pendurar à cintura. Dá sempre jeito ter chaves deste tipo à mão.

4- Chave inglesa pequena. Serve para muitas porcas. E desempena dentes de pedaleira também!

5- Multi-usos Topeak. Milhares de chaves sextavadas, quebra correntes miniatura, chave de fendas e phillips. Uma maravilha. Ah, e tem também alavancas de pneus (em plástico) e chave de raios.

6- Conjunto de remendos. Quando a câmara de ar falha, ou tens dois furos, ou tens tempo e apetece-te remendar o furo a ver a paisagem.

7- Leatherman Crunch. O nome parece de um chocolate mas é mesmo um alicate de pressão miniatura. Dá sempre jeito. Ah, e também tem abre-latas, saca caricas, faquinha, etc etc etc.

8- Chave 8/10. Sempre precisas para travões, para-lamas, porta-bagagens…

9- Chave 8/10. Ok, se calhar ando com uma chave repetida. Sou eu que carrego o peso.

10-Chave 9 /chave de raios- A chave 9 dá sempre jeito para desviadores. A chave de raios, para dar aquele jeitinho.

11- Chave de raios a sério. (Park Tools)

12- Quebra correntes a sério. (Park Tools)

Falta na fotografia uma bomba. Com tanta escolha, a bomba fica para uma próxima dica.

 

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Viagem Lisboa – Montargil- dia 1: no mapa, parecia mais perto.

Início-

“Mas não vai estar muito calor para a semana?”

“Sim, e daí? Até parece que vais fazer uma corrida. São só para aí 100 quilómetros”

“E vamos até aonde?”

“Ouvi dizer que Montargil era giro”

“Ok, bora.”

Vamos pedalar-

E assim foi. Aproveitando alguns dias livres, decidimos ir até Montargil. Tentar levar menos tralha, ver paisagens bonitas e sofrer em estradas intermináveis ao mesmo tempo que pensávamos o que iríamos escrever no anúncio do OLX para vender as bicicletas.

A nossa viagem começou em Carnaxide. Daí, era um saltinho até a estação de Alcântara-Terra. Em Algés, passa por nós um tipo a pedalar uma bicicleta de supermercado a todo gás. Já em Belém, ainda pedalava xeidaforça até que lhe ficou um pedal pelo caminho. Como íamos apanhar um comboio, não podíamos parar. Desculpa, amigo!

Por mais que se queira, a tralha ganha volume.

Já em Alcântara, foi tempo de comprar o bilhete.

Horas perdidas a entender o funcionamento destas coisas.

Seguiu-se a habitual luta com a máquina de bilhetes. Estas máquinas, instaladas pelo departamento de sofrimento e insatisfação da C.P, foram desenvolvidas para tornar a compra de um simples bilhete numa experiência sádico-científica. Aposto que o chefe de estação está à janela, a avaliar o tempo que cada pessoa demora para comprar o raio do bilhete. E esfrega as mãos. E ri.

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Como o pequeno almoço foi logo queimado no duro trajecto Algés-Alcântara, estava na altura do reforço. Logo ali estava um quiosque /café que tinha bolas de Berlim. A comida ideal, claro. E assim foi. A comer cada um a sua bola de Berlim, ouvíamos os rapazes tóxico-independentes.

 

“Aiiiiiii, Tónito, ganda ginga”

“Sim, foram duzentas balas, fui bescá-la ontem” (o Tónito pedalava uma bicla da Decathlon)

Nisto, o Tónito repara nos nossos bólides e comenta. “Elah, dois Brooks. São iguais aos meus. Meus, salvo seja”

Pois. Obrigado Alcântara.

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Entrámos no confortável comboio da C.P que nos iria levar até a Azambuja. Viagem tranquila.

Já na Azambuja, pudemos contemplar a belíssima arquitectura da estação de comboio.

 

Que bonito.

Reparem só nesta obra mestra. A rampa de acesso, tão acolhedora.

Pelo menos, dá para ir de bicicleta.

Pelo menos, dá para ir de bicicleta.

 

A rampa vai dar a este bonito jardim.

A rampa vai dar a este bonito jardim.

 

Na Azambuja, houve tempo para comprar água, pois já não estava aquele fresquinho matinal, tirar fotos e reparar que nesta terra se podia comer sandes de tripa, bucho e courato. Que maravilha.

hm hmmmmm

Foi tempo de começar a pedalar. Estrada Nacional até Santarém. Tudo tranquilo. Breve paragem para ver este muro pintado com frases bíblicas. Belo trabalho.

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Já me tinham dito que havia uma subida até Santarém muito difícil. Mas como ainda era cedo, fez-se bem.

A subida não é esta.

A subida não é esta.

Santarém é uma terra muito bonita. Mas, neste dia, foi só de passagem, pois para além de querermos chegar a Montargil antes de escurecer, disseram-nos que em Almeirim é que se comia boa sopa da pedra. E já estava a ficar perto da hora de almoçar.

A descida de Santarém até Almeirim é qualquer coisa. Recomendo.

Aliás, esta paisagem toda é linda.

Quase na ponte sobre o rio Tejo.

 

..e Santarém lá em cima.

 

Mesmo à entrada de Almeirim. Para quem procura um carro, estes tipos rasgam tudo.

Em Almeirim, almoço excelente. Por 5,99€, comemos um “menu” que incluía sopa da pedra, um copo de vinho ( que pedimos para trocar por Coca-Cola, “não devia trocar, mas vá, pode ser” ) e uma bifana. O restaurante também não tinha serviço de esplanada, mas as coisas apareceram na mesa de qualquer maneira. “Se perguntarem, não fui eu que vim aqui trazer a comida”. “Claro, claro”.

5,99€. É preciso dizer mais alguma coisa?

A sopa estava tão boa que nem me lembrei de pedir cubos de gelo para a Coca-Cola. Porque raio é que em Portugal parece haver uma falta tremenda de gelo? Haverá algum racionamento de gelo que desconheço?

Após Almeirim, ou melhor, após o almoço, pedalar foi complicado. É complicado depois do almoço.

 

 

Estradas intermináveis até Montargil. Raios, no mapa parecia mesmo perto.

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Nestas alturas, pensamos em trocar de modalidade, comprar bicicletas eléctricas, pedir boleia a estranhos.

Enfim. Felizmente estava muito calor e sol, para ajudar.

 

O calor apertava, e jurei ver Lamas.

 

"vende-se bicicleta, bom estado. Motivo: troca de modalidade".

 

Fustigados por animais aos saltos durante quilómetros.

Após quatro horas a pedalar, chegámos ao parque de campismo! Que naquela altura do campeonato, parecia um palácio. Mas, após reflexão cuidada no dia seguinte, as coisas não eram bem o que pareciam. Mas isto fica para a segunda parte.

Vá, até valeu a pena o esforço!

Até lá, apertem com vocês mesmos!

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Entrevista à Costureira Ciclista

Para os mais atentos, o nome não deverá ser estranho. Esta ciclista anima o Facebook com as suas fotos e artigos quase diários. Venham então conhecer melhor a Costureira Ciclista!

 

Tio: não achas que tricotar e andar de bicicleta é difícil e até mesmo perigoso?

Perigossísimo! Principalmente quando ando com agulhas e novelos dentro da mochila… Nunca se sabe o que pode acontecer.

 

A Costureira a ser ciclista algures em Bruxelas.

A Costureira a ser ciclista algures em Bruxelas.

 

Tio: Conta-nos então um pouco sobre o teu projecto.

A Costureira Ciclista surgiu pouco depois de ter começado a utilizar a bicicleta como meio de transporte e me deparei com um problema: precisava de uma capa para a tapar, de forma a poder guardá-la no interior das instalações da empresa onde trabalho. Como já tinha uma máquina de costura em casa decidi aventurar-me nos meandros do corta e cose.

 

A Costureira fala a verdade.

A Costureira fala a verdade.

 

Aventuras na costura, desventuras a bordo da bicicleta: os sobressaltos, as razias, as subidas, o suor… os mitos.

Até que um dia li a « Gloriosa Bicicleta »: afinal os meus dramas não eram assim tão estapafúrdios e, falar sobre a bicicleta e a sua utilização em contexto urbano não tinha de ser entediante. E foi assim que, tendo como meus “musos inspiradores” a Laura Alves e o Pedro Carvalho, nasceu o blog http://acostureiraciclista.blogspot.com .

 

Como “não há duas sem três”, criei também uma página no facebook (https://pt-br.facebook.com/costureira.ciclista) que, inicialmente, era para ser uma loja online mas, acabou por se transformar em algo muito melhor: um espaço de partilha de experiências, opiniões, dias bons e dias maus a bordo das bicicletas.

 

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Tio: Bem, eu disse para falares um pouco. Mas agora pronto, já está. Tricotar capas de selim não é algo que se vê todos os dias. Geralmente, vejo naperons juntamente com palhaços de porcelana e não em bicicletas. Diz-me: como tiveste a ideia de tricotar capas de selim?

Quando olhei para as minhas prateleiras forradas a naperons com cães de loiça, palhaços de porcelana e outros bibelots e decidi que, se quisesse continuar a “crochetar” tinha de arranjar projectos novos.

 

 

A Costureira algures entre Bruxelas e Amesterdão.

A Costureira algures entre Bruxelas e Amesterdão. Maria Francisca descansa num Ferry.

 

Tio: Sei que estás a tirar um curso de costureira. Tencionas alargar-te para outras coisas? Roupa?

Tive aulas de costura durante alguns meses mas, com o objectivo de aprender e aperfeiçoar algumas técnicas. Tudo o que tinha feito até então, baseava-se essencialmente na tentativa e erro e às vezes dava comigo a pragejar por não conseguir fazer coisas que, depois das aulas, até se revelaram mais simples do que pareciam.

Quanto à roupa… não é algo que perspectivo a curto prazo. Mas, acho bastante interessante os produtos, como os da Rasto, concebidos a pensar no ciclista urbano.

Flores!

Flores!

Tio: E já agora, qual é a diferença entre tricot e crochet?

Essencialmente o número e o tipo de agulhas utilizados. Ah, e o facto de eu ter mais jeito para um do que para outro.

Tio: Ao princípio, não tiveste medo de andar de bicicleta por Lisboa? A mim perguntam-me sempre se não tenho medo de andar de bicicleta à noite por trilhos florestais. Tenho mais medo dos carros…

Estranhamente, sinto mais medo agora, do que sentia ao início.

Sobretudo quando sou “ultrapassada” pelos aspirantes a Schumacher na Avenida Calouste Gulbenkian ou na Avenida de Berna.

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Tio: Sei que a tua Maria Francisca é uma dobrável. Porquê uma dobrável?

Bom…quando não há estacionamento na rua em que trabalhamos, nem na rua onde moramos, temos de começar a pensar em andar com a bicicleta às costas e, para isso, nada melhor do que uma dobrável !

Tio: O que achas das lojas de roupa “usa duas ou três vezes e deita fora”?

Já dizia o ditado, « Bom e Barato não cabem no mesmo saco » .

Tio: Uso do capacete, sim ou não?

Acho que cada ciclista deve ter, acima de tudo, liberdade de escolha e, como tal, andar de capacete ou de cabelos ao vento, deve ser uma decisão individual. No entanto, com essa liberdade, vem também a obrigação de respeitarmos a opção dos outros, mesmo que seja diferente da nossa.

« Ah e tal que é perigoso andar sem capacete ». Pois que seja! Mas, devemos ser nós a escolher se estamos ou não dispostos a correr o risco…

Tio: és menina para parar sempre nos vermelhos?

Sempre. Para além da questão de segurança, é a minha forma de marcar posição, e mostrar que, ao contrário da ideia que às vezes se tenta vender, os ciclistas não são um bando de degenerados sem respeito por nada nem ninguém.

Tio: A luz vermelha de trás. Vai a piscar ou não?

Geralmente não. Excepto de estivermos em plena quadra natalícia. Aí, não só a luz vai a piscar, como levo pinheirinhos pendurados no guiador, visto um fato de Pai Natal e tento entrar pelas chaminés lisboetas.

Tio: Fazes-me um corvo em crochet?

Olha que ideia genial! Animaizinhos em crochet para pendurar na bicla… Hum…

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