Passeio molhado, passeio abençoado – Arrábida, 25 de Novembro de 2018 –

A última vez que tínhamos estado na Arrábida tinha sido em Setembro, mês anormalmente quente comparado com anos anteriores. Arrábida com calor é algo que marca. Desta vez, as previsões davam chuva, mas só para a tarde. Decidi arriscar e marcar um passeio, algo já prometido há algum tempo. Anúncio feito no Facebook, passeio marcado. Não enganei ninguém: ” o passeio vai ser sempre a subir, vai estar frio e vai chover”, escrevi eu. E, mesmo assim, Domingo, pelas 9h30, estávamos nove à porta da estação de comboios de Palmela, prontos para enfrentar a Arrábida e seu nevoeiro.

 

 

A última vez que tínhamos estado na Arrábida tinha sido em Setembro, mês anormalmente quente comparado com anos anteriores. Arrábida com calor é algo que marca. Desta vez, as previsões davam chuva, mas só para a tarde. Decidi arriscar e marcar um passeio, algo já prometido há algum tempo. Anúncio feito no Facebook, passeio marcado. Não enganei ninguém: ” o passeio vai ser sempre a subir, vai estar frio e vai chover”, escrevi eu. E, mesmo assim, Domingo, pelas 9h30, estavamos nove à porta da estação de comboios de Palmela, prontos para enfrentar a Arrábida e seu nevoeiro. Eu, Marie, Rui, Tó, Artur e os iniciados de hoje, Rodrigo, Luís, Miguel e Alessandro. Todos estavam bem dispostos.

 

Altura de começarmos a pedalar. Saímos então da estação de comboio de Palmela. Já há muito que desisti de pedalar pelas estradas da margem sul. Muito trânsito e condutores pouco simpáticos. De evitar. O comboio é então a opção tomada para ir mais longe, e voltar, no mesmo dia. Seguiamos já rumo ao bonito e imponente castelo de Palmela. Geralmente, os castelos são em pontos altos e sentimos bem isso na subida até lá. Do guia de Portugal podemos tirar as seguintes linhas: “o primeiro aspecto do castelo é de mistério e isolamento. Como o caminho e acesso vai atravessando a crasta, quadrelas, muralhas, panos de construções arruinadas, o ruído da água tombando em cisternas profundas, a imaginação é obrigada a recuar aos tempos longínquos dos cristãos…”.Continua, dizendo: ” para o lado da Arrábida, há terras vermelhas, dum vermelho de chaga, mais vivo que a cor das velas vermelhas que cortam o estuário azul do Sado.

 

Sobre o N. uma planura enorme, com esse tom verde escuro e denso, que as terras húmidas e quentes dão à vegetação e aqui e ali, um grupo branco de casas: Pinhal Novo, Rio Frio, etc. Depois o Tejo, azul translúcido, quase névoa, uma margem branca com reflexos de cristais e mármore, que é Lisboa, e para além o perfil recortado de Sintra. Em parte deste quadrante e em todo o de E. assenta a larga planície ribatejana até Santarém… O Sado recorta-se alastrando primeiro amplamente depois em manchas de reflexos límpidos. Para o Poente, o mar, a crista, e parte da vertente E. da Serra da Arrábida, mais mar, névoa. A costa às vezes acompanha-se, nítida até Sines, depois é o vago, o indistinto”

Quase tudo isto conseguimos avistar lá do alto, no castelo. Do miradouro, temos uma vista para uma grande parte daquilo que será o terreno do passeio de hoje. Conseguimos também ter uma vista de corvo do Sado, Setúbal, Tróia… se não fosse o nevoeiro, conseguiríamos ver ainda mais. Nevoeiro esse que oculta também a parte alta da serra. Nevoeiro de um lado e nuvens ameaçadoras de outro. Visitamos o castelo e tiramos umas fotos. Usei os meus excelentes binóculos antigos para melhor ver os detalhes da paisagem.

 

 

 

O Alessandro falava-nos de cozinha Italiana, o que nos deixou logo com fome. O problema é que ainda nem eram 10 da manhã. Altura pois, de nos fazermos à estrada.
Pelas ruas medievais de Palmela, descíamos nós rapidamente, em direcção à Serra. Perto do famoso trilho dos moinhos ainda avistamos uma terrível procissão de moto quatro. Poluíam a vários sentidos: sonoramente, visualmente, e ecologicamente. No lugar do belo não devia ser permitido o feio. Mas é. E ai de nós que nos lembremos de acampar tranquilamente na Serra. Mas andar de mota…. isso já pode ser.

Descemos então pela bonita estrada, deixando a zona urbanizada para trás. Estávamos agora mais perto da natureza e longe da civilização. A última vez que pedalei nesta estrada era Primavera. As cores eram completamente diferentes. Hoje, os verdes eram mais escuros e profundos. O Nevoeiro assim o ditava. Uma das coisas mais belas e com significado de pedalar todos os dias é não só ver mas também sentir a mudança das estações do ano.

 


Ainda nos cruzamos com alguns praticantes de b.t.t, alguns dos quais estranharam mais a nossa presença ali. Mas pedalamos para nós e para nos sentirmos bem. Bom seria, que ficássemos todos contentes por ver mais gente de (uma qualquer) bicicleta. E assim, continuamos caminho. Viramos rumo ao nevoeiro. Aqui, no meio do silêncio, é que estamos bem. A estrada asfaltada dá lugar a terra batida, que nos leva ainda mais fundo. Descida à esquerda, rumo a um parque de campismo perdido no meio da serra. As estradas são lindas, com pouco movimento. As cores outonais estão fortes e marcam-nos a vista.  Paramos para tirar mais umas fotos e ver, com os nossos olhos, o que nos falta no dia a dia na grande cidade.

 

Ainda perto do parque de campismo encontramos caras conhecidas que nos avisam que o caminho de terra batida que tencionamos fazer a seguir está em mau estado: mais uma vez, tinham la passado com motas todo o terreno, lavrando o trilho. Obrigado, motas. Fomos a pé, em algumas secções. O trilho ainda se estende por mais alguns quilómetros, até desembocar na estrada principal, que nos vai levar até ao Portinho da Arrábida. Até começar a vertiginosa descida até à praia, ainda temos umas valentes subidas. Mas, o que custam as subidas quando temos a vista que temos?

 

 

O Mar estava já ali, bem mais abaixo, mas infinito, azul. Estávamos já no cruzamento para o Portinho. Avisos dados para terem cuidado. A fome, também lá estava. A descida é íngreme e rapidamente chegamos ao destino. O Portinho da Arrábida e sua baía são desvelados diante dos nossos olhos e ninguém fica indiferente… De bicicleta, tudo tem outra magia. Como se as vistas fossem a recompensa pelo esforço feito neste dia frio e chuvoso. Procuramos abrigo debaixo de uns pinheiros, pois já chovia. O almoço soube ainda melhor. Ninguém passou fome e todos saímos com mais energia. E íamos precisar, pois a chuva não dava sinais de perdoar. E a Serra também não: sobe e desde até Setúbal. Diferente das outras Serras habituais dos passeios Velo Corvo (Sintra e Montejunto), a Arrábida tem algo especial, a sua própria aspereza. Poucas árvores e vista para o Sado e se olharmos mais longe, o Atlântico. Estas escarpas, juntamente com o azul único do mar e a areia da praia servem de postais na nossa memória. Animados pela entreajuda, o esforço até parece diminuído. Rapidamente, chegamos a Setúbal, mesmo a tempo de apanhar o comboio para Lisboa. Dividimos as bicicletas pelas carruagens e sentámo-nos. Cansados, perguntamos: quando é que marcamos o próximo passeio?

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Passeio Velo Corvo- A Mercier foi a Sintra

 

Para ir a Sintra nunca é preciso grande desculpa, pelo menos para mim. E como entretanto terminei a Mercier do Pedro, a ocasião apresentou-se. A bicicleta ficou excelente e claro, nada melhor do que ir a Sintra para a voltinha de teste.

Já há algum tempo que não fazia um passeio Velo Corvo. O bom tempo está aí. Por isso, nada melhor do que um passeio com picnic, paisagens bonitas e molhar os pés no Atlântico.

Evento criado, grupo reunido. Depois da já habitual viagem de comboio para evitar as horríveis paisagens suburbanas e trânsito correspondente, chegámos à estação de comboios de Sintra.

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Uma senhora decidiu que tinha de passar à minha frente para sair pela saída especial. “Tinha comida ao lume”, disse o Pedro. O que vale é que estamos geralmente bem dispostos.

A estação de Sintra é agora um ponto de encontro de caça turistas. Tuque tuques, tures, táxis e autocarros barulhentos. Começar os passeios mais tarde tem destas coisas: apanhamos com muito mais de tudo o que é menos bom.

A Raleigh mais bonita de sempre

A Raleigh mais bonita de sempre

Os passeios Velo Corvo têm algumas tradições. Em Sintra, para-se para se comprar queijadas. E para-se na fonte Mourisca na Volta do Duche. Garrafas e alforges cheios, siga o passeio.

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Passando o centro da Vila e seu bonito Palácio, hoje prendados com a efusiva e colorida visita do Grupo Motard “Amigos do barulho”, seguimos em frente, passando tudo o que é ósteis, hamburgueres da moda e lojinhas de suvenires.

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Começava a subida.

Realmente, ter uma bicicleta dos anos 70 com uma corrente das antigas torna meter mudanças nas subidas numa aventura. Parece que estou a usar uma colher ferrujenta para meter as mudanças, mas não, é apenas a combinação do desviador Simplex com a corrente das antigas a trabalhar em cima de dentes sem rampas. Enfim.

A subida para o Castelo, pelas 11 da manhã, é uma maravilha. Condutores impacientes para desfrutar da natureza mais rapidamente, ultrapassam-nos em tudo o que é curva e estrada estreita.

Pelo menos não vinha ninguém na outra faixa.

E todos estávamos bem dispostos. Como é que é possível não estar? Ter uma paisagem destas, aqui tão perto de casa é um privilégio. Privilégio este que muitos veêm como objecto postal e não como algo que transcende a simples “paisagem bonita”.

Primeira paragem no topo da subida para o Castelo. Uns dedos de conversa trocados e seguimos direcção à Peninha. Aqui, o trânsito automóvel quase que não existe. Afinal, o Castelo e Palácio eram para o outro lado. Para este lado, entramos no domínio dos caminhantes, ciclistas com roupa especial, barras energéticas com sabor a porco no espeto e turistas perdidos.

A estrada é fantástica. Dá gosto pedalar aqui. Sou lembrado de que pedalar por estas estradas é uma espécie de exercício meditativo, entre o pedalar rítmico e o desenrolar mais lento da verdejante paisagem.

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Mais uma paragem, para reagrupar.

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A estrada para a Peninha continuava. Mas não antes de sermos interrompidos por um senhor envergando um colete reflector. Era mais um passeio de motas. Desta vez, do Vespa Clube não-sei-de-onde. Vréééééééééééé pela estrada em cima. Enfim, exercício meditativo interrompido. Vespeiro do colete reflector acende cigarro e monta-se na mota para se juntar ao passeio, desfrutando da Natureza, seguindo a ambulância (para haver uma resposta mais rápida caso algum tropece a sair da mota direcção ao porco no espeto) e carro com atrelado reboque .

Antes da super-subida para a Peninha, parámos no bonito miradouro. Lá, trocamos mais uns dedos de conversa. O António trocou uma cerveja por um obrigado. O Pedro não aguentou a sede, pois a Mercier dele ainda não tem um porta garrafas. E como já tinha subido muito, comeu também uma queijada. O Rui da Raleigh mais bonita de sempre ponderava a compra de mais uma bicicleta.

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Somos acompanhados por um grupo forrado a licra, que olha para nós com olhar desconfiado. É assim a vida.

A paisagem daqui é bonita. Dá para ver o Guincho, Cascais e às vezes o cabo Espichel. Próximo passeio deve ser até lá. Tudo para correr bem!

Já faltava pouco para chegar à Peninha. Mas antes teriamos de subir mais um pouco.

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A subida para a Peninha é uma das mais íngremes da Serra. Como não quis passar vergonha a tentar meter mudanças, não fui a pé, sofri em silêncio.

 

Chegados à Peninha, é então altura de encher as garrafas na fonte de água cristalina.

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Tirámos alguns bonitos retratos, para emoldurar.

 

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Visto ser Domingo e estar bom tempo, as mesas de picnic estavam ocupadas por uma familia numerosa e barulhenta. Os cães estavam histéricos com a beleza natural do local, pois não paravam de ladrar. As crianças desfrutavam da natureza, dando pontapés na bola, chutando a mesma contra os mágicos pedregulhos que encontramos na Peninha.

Fomos então parar uns largos metros mais à frente, para irmos almoçar.

 

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Cada um trouxe o que acho melhor. O Pedro foi preguiçoso, apesar a Mercier ter dois porta bagagens, obrigou a mulher a trazer-lhe almoço. Não me queixei pois também comi.

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Depois do café feito e de pernas repousadas, estava a altura de começar a rápida descida para o Guincho. A Mercier subiu muito bem. Aliás, acho que todos subimos muito bem. Até o António que trouxe a casa atrás.

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Zás, montanha abaixo. A minha Pyrinées Sport não passa dos 50 km/h nesta descida. Algures entre não ter mais relação de pedalada e os travões Mafac Racer (com calços originais) a abrandarem, achei melhor não de aventurar muito.

A Mercier e Pedro, perdi-os de vista.

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Rapidamente chegámos ao Guincho. Daí, até à praia, foi um tirinho. Antes de ir para a água, ainda houve tempo para arranjar uma bicicleta da Decathlon. Não tenho descanso. O que vale é que a água estava boa. Os mais prevenidos até trouxeram fato de banho!

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Do Guincho até Cascais é um instante. Claro que o facto de irmos todos comer um gelado à concorrente sem fila da Santini ajuda.

Comer gelado depois de um dia a pedalar ao Sol ajuda. Melhor do que comer um gel energético com sabor a ananás e frutos silvestres.

Passeio terminado. Eu estava cansado e fui de comboio. Uns pedalaram até Lisboa, passando cerca de 1000 carros parados na Marginal. Sou lembrado do tenebroso plano de um candidato à Câmara de Oeiras. A sua página de “projetos” é saída de um filme tipo Blade Runner. Viadutos e túneis. Desnivelamentos, faixas extra em autoestradas e parques de estacionamento. E só pensava, na minha viagem de comboio: tanta gente encravada dentro de um carro, perto de uma das mais bonitas paisagens de Lisboa e ao mesmo tempo tão longe….

Gostaram do texto? Gostariam de vir a um dos Passeios Velo Corvo? É fácil: sigam a página Facebook e estejam atentos.

PS: O Pedro pediu-me para referir que conseguiu atingir os 75kmh com a Mercier na descida. Acredito sempre no Strava.

PS2: obrigado António pelas fotos!

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Ecopista do Dão

Este fim de semana finalmente consegui organizar as coisas e fui até Santa Comba Dão para pedalar cerca de 100 quilómetros na famosa Ecopista do Dão.

A ecopista do Dão foi inaugurada há alguns anos. Segue o traçado da antiga linha de comboio que unia Santa Comba Dão a Viseu. Infelizmente, muitas destas linhas de comboio antigas foram descuidadas nos anos 80 e 90, pois os sucessivos governos deram, erradamente, preferência à estradas e autoestradas e,sobretudo, ao transporte automobilizado individual. Um erro de estratégia de mobilidade que já prova ter enormes custos a nível de saúde pública e, igualmente grave, provoca um isolamento das populações mais envelhecidas. Revela a falta de um plano a longo prazo…

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A ecopista do Dão começa perto da estação de comboios de Santa Comba Dão. Para aqueles que forem até lá de carro, não se enganem.
A estação de comboio chama-se Santa Comba Dão, mas fica na aldeia do Vimieiro.

Ao chegar à estação, saídos de um IP3 absolutamente claustrofóbico (as faixas são demasiado estreitas para as velocidades permitidas e os limitadores de betão tornam esta estrada horrível), entramos no Vimieiro. A estação aparece-nos pouco depois. De traçado típico de tantas outras estações por esse país fora, esta estação, apesar de ser de tamanho médio, parece estar vazia. E de facto, está. A estação parece ser agora um apeadeiro de enormes dimensões. Parece e é.
A praça em frente à estação é uma sombra daquilo que já deve ter sido. A pensão Ambrósia parece já não estar aberta há décadas. Todas as casas perto da estação parecem desabitadas.
Perguntando a um taxista aonde é que começa a Ecopista, pois claro está, falta uma placa de indicação, é-nos dito que o actual presidente da câmara “nada faz”. Pois. De facto, parece um chavão comumente ouvido. Mas, ao deparar com este cenário um pouco triste, não posso deixar de pensar: não haverá mais uns trocos para fazer uma sinalização simples? Afinal, a Ecopista é bem perto: basta seguir a plataforma do apeadeiro até ao fim. Aí, encontramos uma placa pequenita que nos indica o caminho. O trilho que desce, é em terra. Pouco depois, começa a Ecopista própriamente dita. Aqui não falta a placa em mármore da inauguração. Pergunto-me se o dinheiro da placa em mármore não seria mais bem empregue em sinalização no início da Ecopista…

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A minha companheira foi a Marie, da Ardenne. Para quem gosta de malas e alforges clássicos, vale bem a pena visitar o site.
Falando agora da Ecopista: quando finalmente entramos na Ecopista penso que valeu bem a pena o péssimo caminho que percorremos até aqui chegar. Isto porque, a mesma está perfeitamente longe de qualquer estrada. Nem um carro se ouve! Estamos rodeados de Natureza.
Aqui, o piso é excelente. Nota-se uma ligeira subida, mas nada que não se consiga fazer tranquilamente. Aliás,parece quase plano. Quase.

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A Ecopista é de facto muito bonita. A parte mais bonita é, a meu ver, a primeira metade, de Santa Comba Dão até Tondela. Nessa primeira metade, sentimos-nos mesmo isolados dos automóveis. Até porque estamos mesmo isolados dos carros. A todos os sentidos. Barulhos só o cantar de pássaros e do rio a correr.
Também passamos por umas lindas pontes ferroviárias. Ponto de paragem obrigatório para umas fotografias!

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Ao longo da Ecopista, temos também as velhas estações de comboio que servem agora de apoio aos que por aqui passam. Apoio em forma de café (que soube muito bem depois do almoço), gelados e bolos.

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Após Tondela, a Ecopista perde um pouco o seu encanto bucólico. Aumentam os cruzamentos com estradas e os automóveis são mais presentes. Um ponto negativo: cada vez que há um cruzamento com estradas, a ciclovia é premiada com as piores e mais desconfortáveis lombas de sempre. Podiam ter sim, colocado as lombas na estrada e não na ciclovia. Mais à frente, e já perto de Viseu, em vez de lombas, o prémio é outro: barreiras tipo gincana,que temos de pacientemente de passar, umas vezes de bicicleta, outras vezes a pé.
Acredito que se assim não fosse, a ciclovia iria ser usada para outras coisas que não bicicletas.

 

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A Ecopista do Dão passa por três concelhos: Santa Comba Dão, Tondela e Viseu. Cada secção está pintada com a sua cor. Respectivamente, azul, verde e vermelho. Para além disto, há marcadores com as distâncias. E para aqueles que gostam de dormir na manjedoura (campismo selvagem), não faltam locais. Os melhores locais em termos de paisagem são sem dúvida na primeira das três partes, em Santa Comba Dão, nas margens do rio.

 

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Chegados a Viseu, vamos desembocar num largo. Mais uma vez, a Ecopista acaba como começou: assim no meio do nada. Em Viseu, tivemos só tempo de fazer uma curta e rápida visita ao centro histórico. Aqui, e muito tristemente, as pessoas estacionam os seus carros (em 2016) aonde querem. As ruas estavam cheias de gente e mesmo assim, os carros insistiam em passar nas mais estreitas ruelas. Uma triste constante em tantas cidades, vilas e aldeias aonde a população sem carro tem de conviver com o constante assédio por parte dos automóveis.
Talvez um dia as coisas mudem.
Tempo houve também, claro, para comprar mantimentos. Sim, a Ecopista sobe pouco, mas sobe. E sempre foram 50 quilómetros. E ainda haviam mais 50 quilometros para fazer. Voltando ao largo aonde inicia a Ecopista, rumámos então em direcção a Santa Comba Dão.

De facto, é ao descer que percebemos que afinal, até subimos. Conseguimos manter a bicicleta nos 20 quilómetros por hora quase sem pedalar. Ao descer, o caminho vai ficando cada vez mais bonito. E, com a luz do crepúsculo, as cores ganham ainda mais vida e significado. Paisagens inesquecíveis!

Um passeio a repetir, sem dúvida. Mas, da próxima, ficarei mais tempo em Viseu.

Queres participar nos passeios Velo Corvo? Só custam algumas subidas, mas as paisagens valem a pena. Para estares sempre a par dos próximos passeios, envia email para pedro@velocorvo.com para receberes os convites.

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