Os defensores do código

As já não tão recentes alterações ao código da estrada começam a fazer sentir-se para quem pedala habitualmente pelas estradas de Portugal. O alarmismo apocalíptico do Presidente do A.C.P não se traduziu num aumento dramático de acidentes (causados pelos ciclistas).

Carlos Barbosa: um homem decidido.

Carlos Barbosa: um homem decidido.

Mas, o que se faz sentir, e bem, é a constante onda de palpites (para não lhes chamar outras coisas) dos defensores do código. Da estrada, isto é. Estes moralistas, usando o seu vasto conhecimento, que vai desde o treino de equipas de futebol (era fora de jogo; o Robalinho era o melhor ponta de lança), finanças públicas (nas eleições é só promessas, quando lá chegam é só roubar), política internacional (esse país é tipo Luxemburgo, tenho um primo meu que lá trabalha e recebe cinco mil aéres que é para aí 1500 contes na moeda antiga), voltaram as suas atenções para os ciclistas. E claro, as alterações do código da estrada.

Geralmente não é este o gesto que fazem com a mão.

Geralmente não é este o gesto que fazem com a mão.

Alimentados por uma bizarra inveja, estes moralistas e condutores excelentes, não perdem uma oportunidade para fazer ouvir a sua voz. Ora através de berros dados pela janela do carro (vai para o passeio! A estrada é para os carros!), ora através de comentários deixados anonimamente em caixas de comentários de jornais online ( no meu tempo era precizo ter licença para ter biciclete e agora nem seguro tem e nos temos de pagar seguro já para não falar de estarem sempre a passar vermelhos) ora a demonstrarem a superioridade automóvel e mestria da sua condução ao passarem por nós a meros centímetros de distância.

De carro é que é bom.

De carro é que é bom.

Para não variar, o caminho para a bicicleta em Portugal ainda está a meio, se calhar nem tanto. Ciclovias (?!) não existentes, leis insuficientes e , o que considero ser o maior problema, uma falta de educação e cultura gerais. Se soubéssemos conviver todos, não seriam necessárias tantas leis e regras. Se soubéssemos tratar o carro cada vez mais como a excepção e privilégio que é, em vez da arrogância motorizada do dia a dia, deslocando-se 50 metros para estacionar em segunda fila porque “é só para ir ali ao café e eles dão a volta”, metade dos problemas não existiriam.
E quando digo conviver todos, falo também dos ciclistas. Ninguém gosta de te ver forrado a licra justa a fazer gincanas entre as pessoas. Ninguém gosta de te ver a ocupar a estrada desnecessariamente (eu sei que já se pode circular a par, mas se o carro não consegue passar, deixa passar).

Vou só deixar esta fotografia aqui.

Resumindo, utilizar algo que já se perdeu. Senso comum.

Foto ligeiramente inspiradora.

Foto ligeiramente inspiradora.

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