Entrevista à Costureira Ciclista

Para os mais atentos, o nome não deverá ser estranho. Esta ciclista anima o Facebook com as suas fotos e artigos quase diários. Venham então conhecer melhor a Costureira Ciclista!

 

Tio: não achas que tricotar e andar de bicicleta é difícil e até mesmo perigoso?

Perigossísimo! Principalmente quando ando com agulhas e novelos dentro da mochila… Nunca se sabe o que pode acontecer.

 

A Costureira a ser ciclista algures em Bruxelas.

A Costureira a ser ciclista algures em Bruxelas.

 

Tio: Conta-nos então um pouco sobre o teu projecto.

A Costureira Ciclista surgiu pouco depois de ter começado a utilizar a bicicleta como meio de transporte e me deparei com um problema: precisava de uma capa para a tapar, de forma a poder guardá-la no interior das instalações da empresa onde trabalho. Como já tinha uma máquina de costura em casa decidi aventurar-me nos meandros do corta e cose.

 

A Costureira fala a verdade.

A Costureira fala a verdade.

 

Aventuras na costura, desventuras a bordo da bicicleta: os sobressaltos, as razias, as subidas, o suor… os mitos.

Até que um dia li a « Gloriosa Bicicleta »: afinal os meus dramas não eram assim tão estapafúrdios e, falar sobre a bicicleta e a sua utilização em contexto urbano não tinha de ser entediante. E foi assim que, tendo como meus “musos inspiradores” a Laura Alves e o Pedro Carvalho, nasceu o blog http://acostureiraciclista.blogspot.com .

 

Como “não há duas sem três”, criei também uma página no facebook (https://pt-br.facebook.com/costureira.ciclista) que, inicialmente, era para ser uma loja online mas, acabou por se transformar em algo muito melhor: um espaço de partilha de experiências, opiniões, dias bons e dias maus a bordo das bicicletas.

 

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Tio: Bem, eu disse para falares um pouco. Mas agora pronto, já está. Tricotar capas de selim não é algo que se vê todos os dias. Geralmente, vejo naperons juntamente com palhaços de porcelana e não em bicicletas. Diz-me: como tiveste a ideia de tricotar capas de selim?

Quando olhei para as minhas prateleiras forradas a naperons com cães de loiça, palhaços de porcelana e outros bibelots e decidi que, se quisesse continuar a “crochetar” tinha de arranjar projectos novos.

 

 

A Costureira algures entre Bruxelas e Amesterdão.

A Costureira algures entre Bruxelas e Amesterdão. Maria Francisca descansa num Ferry.

 

Tio: Sei que estás a tirar um curso de costureira. Tencionas alargar-te para outras coisas? Roupa?

Tive aulas de costura durante alguns meses mas, com o objectivo de aprender e aperfeiçoar algumas técnicas. Tudo o que tinha feito até então, baseava-se essencialmente na tentativa e erro e às vezes dava comigo a pragejar por não conseguir fazer coisas que, depois das aulas, até se revelaram mais simples do que pareciam.

Quanto à roupa… não é algo que perspectivo a curto prazo. Mas, acho bastante interessante os produtos, como os da Rasto, concebidos a pensar no ciclista urbano.

Flores!

Flores!

Tio: E já agora, qual é a diferença entre tricot e crochet?

Essencialmente o número e o tipo de agulhas utilizados. Ah, e o facto de eu ter mais jeito para um do que para outro.

Tio: Ao princípio, não tiveste medo de andar de bicicleta por Lisboa? A mim perguntam-me sempre se não tenho medo de andar de bicicleta à noite por trilhos florestais. Tenho mais medo dos carros…

Estranhamente, sinto mais medo agora, do que sentia ao início.

Sobretudo quando sou “ultrapassada” pelos aspirantes a Schumacher na Avenida Calouste Gulbenkian ou na Avenida de Berna.

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Tio: Sei que a tua Maria Francisca é uma dobrável. Porquê uma dobrável?

Bom…quando não há estacionamento na rua em que trabalhamos, nem na rua onde moramos, temos de começar a pensar em andar com a bicicleta às costas e, para isso, nada melhor do que uma dobrável !

Tio: O que achas das lojas de roupa “usa duas ou três vezes e deita fora”?

Já dizia o ditado, « Bom e Barato não cabem no mesmo saco » .

Tio: Uso do capacete, sim ou não?

Acho que cada ciclista deve ter, acima de tudo, liberdade de escolha e, como tal, andar de capacete ou de cabelos ao vento, deve ser uma decisão individual. No entanto, com essa liberdade, vem também a obrigação de respeitarmos a opção dos outros, mesmo que seja diferente da nossa.

« Ah e tal que é perigoso andar sem capacete ». Pois que seja! Mas, devemos ser nós a escolher se estamos ou não dispostos a correr o risco…

Tio: és menina para parar sempre nos vermelhos?

Sempre. Para além da questão de segurança, é a minha forma de marcar posição, e mostrar que, ao contrário da ideia que às vezes se tenta vender, os ciclistas não são um bando de degenerados sem respeito por nada nem ninguém.

Tio: A luz vermelha de trás. Vai a piscar ou não?

Geralmente não. Excepto de estivermos em plena quadra natalícia. Aí, não só a luz vai a piscar, como levo pinheirinhos pendurados no guiador, visto um fato de Pai Natal e tento entrar pelas chaminés lisboetas.

Tio: Fazes-me um corvo em crochet?

Olha que ideia genial! Animaizinhos em crochet para pendurar na bicla… Hum…

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