A arte de teimosamente retratar à moda antiga

Este Sábado, uma andorinha disse-me que o estúdio Silverbox estava com uma simpática promoção. Iríamos viajar no tempo para fazermos o nosso retrato tal e qual se fazia há umas largas décadas. O Corvo não poderia perder esta oportunidade e logo cedo bateu as suas asas até São Bento. Logo á entrada, somos cumprimentados por uma simpática menina que nos convida a entrar. Para além de sermos cumprimentados pela menina Rute, somos cumprimentados por uma máquina de escrever antiga, ladeada de algumas máquinas fotográficas clássicas. O Corvo estava no céu.

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As paredes cheias de retratos bonitos…

A menina não estava sozinha, e aparece o menino Filipe que nos convida a conhecer o estúdio. Não é só o retrato que é feito á moda antiga – o ambiente é também ele “antigo”. O estúdio é , por si só, uma obra de arte, sendo ele próprio parte do ritual de tirar o retrato. Um claro contraste aos dias de hoje, cheios de excessos fotográficos em que uma sanduiche comida numa esplanada se torna uma valiosa reportagem fotográfica.

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Sentamo-nos no magnifico sofá antigo, ajustamos a pose. O Filipe e a Rute explicam-nos o que devemos fazer. Fixar o olhar um bocadinho acima da objectiva. Endireitar as costas. Quando ele disser, temos de ficar imóveis durante 3 segundos. Isto não são fotografias tipo passe.

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A bonita máquina fotográfica.

Um, dois, três e já está.  Rapidamente vamos para o quarto escuro para assistir á revelação. Não me recordo dos nomes dos químicos usados. Gosto de pensar que é uma espécie de ritual mágico, de onde o nosso retrato nasce da escuridão.

 

colagem estudio

Da escuridão até ao retrato.

É sempre bom conhecer pessoas  como o Filipe e a Rute que partilham connosco uma maneira de fazer as coisas. No caso do estúdio Silverbox, de certeza que haverão maneiras mais rápidas de tirar retratos. Mas de certeza que esses métodos serão muito menos bonitos e poéticos.

Vivemos num mundo de 0s e 1s. Aonde estarão esses 0s e 1s daqui a 100 anos? A foto da sanduiche tirada numa qualquer esplanada perder-se-á num mar de lixo digital efémero.

Mas o meu retrato, com cuidado, durará 100 anos.

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